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01 de julho, 2004 - 16h01 GMT (13h01 Brasília)

O ódio nosso de cada dia...

No Brasil conheço algumas pessoas de famílias até boas, como a minha, que odeiam Bush a ponto de torcer para Osama bin Laden e seus terroristas. Não é um privilegio brasileiro.

Em vários países o ódio a Bush agora faz parte do credo de cada dia. Os americanos não torcem para o inimigo, mas desde os tempos de Nixon não me lembro de democratas e republicanos tão politicamente envenenados.

Os presidentes republicanos Gerald Ford, Bush pai e Ronald Reagan inspiravam antipatias e deboches partidários entre os democratas, mas Reagan conseguiu vencer em 49 dos 50 Estados. Milhões de democratas votaram nele.

Foi durante o governo Clinton que o ódio republicano chegou à flor da pele e agora Bush conseguiu fazer o mesmo com os democratas. Conheço parentes e amigos que estão com relações rompidas ou congeladas por causa do presidente.

Três respeitáveis acadêmicos, Morris Fiorina e Jeremy Pope, de Stanford, e Samuel Abrams, de Harvard, afirmam que esta polarização do país é superficial e passageira. Os argumentos estão no livro Guerra Cultural? O mito da América Polarizada.

Eles afirmam que nas questões que tradicionalmente dividem o país, a maioria dos eleitores estão do mesmo lado. Controle de armas, aborto, impostos, pena de morte, casamento gay, quotas raciais são problemas mais permanentes e inspiram polêmicas mas não ódio e divisão cultural.

A decisão de invadir o Iraque pode derrotar Bush mas os três analistas dizem que é uma questão temporária. Vai desaparecer com o fim da guerra e menos ideologia em Washington.

Talvez. O Fahrenheit de Michael Moore queima os republicanos. O vice-presidente Cheney usa o mais vulgar dos palavrões para insultar um senador democrata dentro do Senado. Neste momento, o ódio americano está muito bem nutrido.