30 de junho, 2004 - 12h07 GMT (09h07 Brasília)
Houve no Brasil uma telenovela de grande sucesso com o nome de Celebridade, que chegou a seu desfecho ainda recentemente, com o habitual espalhafato jornalístico, já que não há muito coisa importante acontecendo no país.
Não sei é se “celebridades” brasileiras podem vir entre debochadas aspas como aqui. Acredito que sim.
É a síndrome revista Hello aqui, Caras aí. Até onde sei, as “celebridades” britânicas são as mais célebres do mundo.
E vale irmão de participante de Big Brother, mulher de técnico de futebol e perdedor (atenção, não é vencedor) de concurso de calouros.
E os prêmios? Não há dia que passe que algum inglês em alguma parte do país não esteja ganhando uma medalha, um diploma, uma estatueta.
Vou a uma genuína celebridade pelos critérios dos dois, ou três ou quatro, lados do Atlântico: Sting, membro da extinta banda Police.
Outro dia mesmo, agora em junho, o rouco loiríssimo discursou durante a entrega do prêmio Mojo.
O prêmio Mojo é muito exclusivo: só umas 200 ou 250 personalidades ligadas ao showbiz (não chamemos de música; música é outra coisa muito diferente) são agraciadas com o cobiçado laurel destinado a incentivar a venda de discos para meninos e meninas entre os 10 e 14 anos de idade.
Sting aproveitou a oportunidade e tacou ficha no mundo.
Criticou-o (ao mundo) severamente, com destaque para as facções em luta no Oriente Médio, que estupidamente não deram a devida atenção à letra da canção por ele composta e gravada, a afamada Desert Rose (ou “Rosa do Deserto”).
Afim de contribuir com os esforços de paz na região, e em homenagem a todos os Mojos do mundo e à nova administração no Iraque, traduzo o melhor que posso os versos mais relevantes da “Rosa do Deserto”. Segurem aí:
“Sonho com a chuva, sonho com jardins nas areias do deserto, acordo em vão, sonho com o amor enquanto o tempo se esvai pela minha mão”.
Pronto. Aí está. Sting falou, disse e cantou (quase que no tom). Agora, parem com isso, facções beligerantes do Oriente Médio.