28 de junho, 2004 - 14h28 GMT (11h28 Brasília)
O número de iraquianos que acha que a sua vida melhorou depois da guerra diminuiu consideravelmente nos últimos meses, de acordo com uma pesquisa realizada pelo instituto Oxford Research International.
A pesquisa realizada em maio e junho, cujos resultados foram divulgados nesta segunda-feira, registrou um queda de 27 pontos percentuais no grupo de pessoas que disseram que a sua vida está melhor depois da invasão americana – contra 70%, na pesquisa realiza pelo mesmo instituto, em fevereiro.
Quando perguntaram aos entrevistados se eles esperavam que a sua vida estaria melhor daqui a um ano, 56% responderam que sim na última pesquisa, contra 71% que haviam dado essa resposta em fevereiro.
O número de pessoas que consideram que a invasão americana foi uma decisão acertada também caiu, de 49%, em fevereiro, para 38% em maio/junho. Naturalmente, aumentou a proporção dos que acham que a guerra foi um erro, de 39% para 56%.
Os pesquisadores entrevistaram 3.002 iraquianos de vários pontos do país, entre os dias 19 de maio e 14 de junho.
31% a favor de ataques
Uma outra pergunta feita nas duas ocasiões, quem seria alvo legítimo de ataques, indica o aumento da hostilidade em relação às tropas da coalizão e ao governo interino iraquiano.
Em junho, 31% disseram que ataques contra as forças da coalizão eram aceitáveis, contra 17% em fevereiro.
Num período em que um engenheiro americano foi seqüestrado e morto por miliantes islâmicos, também aumentou o apoio a ataques a estrangeiros que trabalham com a autoridade provisória da coalizão – de 10% em fevereiro para 14%.
A pesquisa antecede a decapitação do sul-coreano, Kim Sun-Il, na semana passada.
Ainda segundo o instituto Oxford, 60% dos entrevistados disseram que as condições para estabilizar o Iraque haviam piorado nos últimos três meses; 19% opinaram que o ambiente havia melhorado e 17%, que não havia mudado.
Denúncias de abusos
A pesquisa também procurou avaliar o impacto das denúncias de torturas de prisioneiros iraquianos por forças americanas. As acusações foram detonadas pela publicação de fotos de abusos supostamente cometidos na prisão de Abu Ghraib, em abril, e , portanto, não foram levadas em conta na pesquisa de fevereiro.
À pergunta "você ficou surpreso com os abusos?", 59% responderam que sim e 29%, que não. Quando lhe perguntaram o que achavam das denúncias, 48% concordaram com a opção de resposta "erros cometidos por menos de cem pessoas"; 23% acharam que os abusos eram uma prática mais ampla e 18% optaram pela resposta "os Estados Unidos inteiros são assim".
Quanto às conseqüências dos abusos para o futuro do Iraque, 47% disseram que não faria diferença nenhuma e 15% disseram acreditar que haverá um impacto (38% não souberam como responder).
As forças da coalizão lideradas pelos Estados Unidos são vistas como "forças de ocupação" por 51% e como "uma força que explora o Iraque", por 18%; 16% concordaram com a definição "uma força de liberação" e 10%, com "força de paz".
O apoio à permanência da coalizão no Iraque variou relativamente pouco. Na última pesquisa, 40% eram a favor e 55%, contra. Em fevereiro, os índices estavam em 39% e 51%, respectivamente.
No momento em que a coalizão passa o poder para um governo interino, 54% disseram que a segurança no país vai melhorar com a transferência. Para 76%, a situação só vai melhorar com o estabelecimento de um governo democraticamente eleito.
No cronograma de transição, as eleições gerais no Iraque estão previstas para janeiro de 2005, embora o primeiro-ministro interino, Iyad Allawi, tenha dito no fim de semana que a falta de segurança no país possa comprometer esse prazo.
Quando perguntaram aos entrevistados sobre quais deveriam ser as prioridades do país, 69% não consideraram que "lidar com os membros do governo anterior" como uma delas.
A maioria (53%) se mostrou a favor de que as Nações Unidas desempenhe um maior papel no Iraque.