27 de junho, 2004 - 04h07 GMT (01h07 Brasília)
O primeiro-ministro do Paquistão, Zafarullah Khan Jamali, anunciou sua renúncia neste sábado após reunião com o presidente do país, Pervez Musharraf.
Ele disse que sua decisão foi tomada em benefício "de interesses de seu partido e do país".
Segundo o correspondente da BBC em Islamabad Paul Anderson, o gabinete também deve renunciar. Jamali indicou o presidente do partido do governo, Chaudry Shujat Hussain, para ser o seu substituto.
O anúncio foi feito após semanas de especulações tanto nos meios de comunicação quanto em círculos políticos.
A renúncia do primeiro-ministro também acontece nas vésperas do encontro entre Índia e Paquistão para discutir a questão da Caxemira.
Homenagem
Após falar com o presidente sobre a sua renúncia, Jamali disse que foi "autorizado" a nomear Hussain para o cargo.
Hussain prestou tributo a Jamali, dizendo que ele "entrará para a história". Mas o correspondente da BBC diz que a maioria dos 19 meses em que Jamali ficou no poder foi marcada por acusações de ineficiência e nepotismo.
De acordo com Anderson, Jamali nunca fez segredo de sua total lealdade ao presidente Musharraf, a quem certa vez descreveu como "chefe".
Mas há especulações de que as relações entre o presidente e o primeiro-ministro se deterioraram depois que Jamali se recusou a aceitar todas as políticas de Musharraf, principalmente no combate a extremistas islâmicos.
Analistas dizem que Jamali também foi vítima de jogos de poder no partido do governo.
Segundo eles, a renúncia pode desestabilizar os já incertos esforços de fazer o país voltar a ser uma democracia após o golpe militar de 1999.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Riaz Khokhar, chegou à Índia neste sábado para reuniões com representantes do país sobre a região da Caxemira.
É a primeira vez em três anos que Índia e Paquistão discutem o assunto.