27 de junho, 2004 - 06h49 GMT (03h49 Brasília)
O primeiro-ministro interino do Iraque, Iyad Allawi, alertou que a violência pode forçar o adiamento das eleições gerais no país, marcadas para janeiro de 2005.
Numa entrevista à rede de TV americana CBS, ele disse que a data depende totalmente da situação da segurança.
Seus comentários foram feitos no momento em que o Iraque sofre outra onda de violência, com a explosão de carros-bomba em Hilla e Irbil e ataques a escritórios de partidos políticos em Baquba.
No sábado à noite, a explosão de dois carros bomba perto de uma mesquita em Hilla, ao sul de Bagdá, matou pelo menos 23 civis iraquianos e deixou cerca de 20 feridos. Mais cedo, os militares americanos tinham dito que até 40 pessoas tinham morrido nas explosões.
Reféns
Além disso, atiradores suspeitos de ligações com a rede Al-Qaeda estão ameaçando matar três turcos que eles tomaram como reféns.
Allawi disse que as eleições poderiam ser adiadas em até dois meses.
"Nós estamos comprometidos com as eleições, e uma de nossas tarefas é realmente trabalhar para atingir esse objetivo. Mas a segurança vai ser o principal fator a nos dizer se elas vão acontecer em janeiro, fevereiro ou março", disse.
A transferência da soberania do Iraque para os iraquianos está marcada para 30 de junho. A expectativa é de que o país promova eleições, com o apoio da ONU, até 31 de janeiro.
Lei marcial
Allawi prometeu restaurar a segurança no Iraque e, na entrevista, disse que sua administração está considerando a adoção de leis de emergência em algumas áreas do país para acabar com a violência.
"Nós estamos pensando, entre outras coisas, em uma lei que daria poder ao governo para tomar medidas contra criminosos, detê-os, interrogá-los, investigar e impor toque de recolher quando necessário", afirmou.
Mas ele diz que as novas medidas não seriam equivalentes à imposição de uma lei marcial.
Num artigo no jornal britânico Independent on Sunday, Allawi também discute a possibilidade de oferecer anistia aos iraquianos que resistiram à ocupação americano "por desespero".
"Estamos finalizando um plano para dar anistia aos iraquianos que apoiaram a chamada resistência sem cometer crimes. Ao mesmo tempo, vamos isolar os terroristas e criminosos", escreveu.