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25 de junho, 2004 - 00h29 GMT (21h29 Brasília)

Aumenta para cem o total de mortos em ataques no Iraque

Aumentou para cerca de cem o número de pessoas que morreu nesta quinta-feira em um dos piores dias de violência no Iraque desde a invasão liderada por forças americanas, no ano passado.

Foram registrados atentados em cinco atentados diferentes, sendo que na mais atingida – Mosul, no norte iraquiano – pelo menos 62 pessoas morreram e 220 ficaram feridas.

Mais de quarenta morreram em Baquba, Ramadi, Falluja e também na capital, Bagdá.

O primeiro-ministro iraquiano, Iyad Allawi, condenou a violência e prometeu esmagar os militantes responsáveis pelos ataques.

Determinação

Falando a apenas seis dias da data marcada para a transferência de poder da Autoridade Provisória de Coalizão para um novo gabinete de governo iraquiano, Allawi, disse que os insurgentes serão enfrentados e derrotados.

Allawi também disse que espera que a violência no Iraque se intensifique ainda mais nos próximos dias.

O grupo comandado pelo militante Abu Musab al Zarqawi, a quem Washington acusa de ser ligado à rede Al-Qaeda, assumiu a autoria dos atentados, por meio de uma declaração em um site de Internet islâmico.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell, disse por sua vez que acha que “nós subestimamos a natureza do levante que nós podemos ter que enfrentar neste período (de transição)”.

“A revolta que estamos observando agora se tornou um problema sério para nós, mas é um problema com o qual vamos lidar.”

Ainda nesta quinta-feira, a milícia xiita leal ao clérigo Moqtada Al-Sadr declarou um cessar fogo unilateral no bairro de Cidade Sadr, reduto do clérigo em Bagdá.

“Em nome do interesse público e considerando a situação delicada em que se encontra o povo iraquiano, o comando central do Exército Mehdi (nome da milícia) anuncia uma paralisação das atividades militares dentro de Cidade Sadr”, disse o grupo armado em uma nota.

O Exército Mehdi ganhou destaque por combater as forças lideradas pelos Estados Unidos na região das cidades sagradas de Najaf e Karbala. Cidade Sadr era o último lugar em que membros do grupo ainda estavam enfrentando as forças militares estrangeiras.

Imunidade

Em outro desdobramento, os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira que pretende manter responsabilidade legal sobre as suas forças que irão permanecer em território iraquiano depois da transferência de poder.

Um porta-voz do Pentágono disse que há negociações nesse sentido que estão sendo realizadas entre autoridades americanas e iraquianas, e que um acordo deve ser alcançado.

Segundo um oficial militar americano, o que os Estados Unidos querem é que todas as tropas estrangeiras da coalizão que permaneçam no Iraque tenham imunidade a processos em tribunais iraquianos.

No entanto, segundo o correspondente da BBC no Pentágono Nick Childs, a questão é delicada, especialmente por causa das acusações de abusos que recaem sobre os soldados americanos no trato de detentos na prisão de Abu Ghraib, perto de Bagdá.

Childs disse que o mais provável que aconteça agora é que uma diretriz atualmente em vigor e que estabelece a imunidade tenha sua validade prorrogada, abrangendo os próximos meses.