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24 de junho, 2004 - 20h54 GMT (17h54 Brasília)

Paul Reynolds

Ataques em série ameaçam novo governo iraquiano

A série de ataques nas áreas sunitas do Iraque nesta quinta-feira são uma ameaça direta contra o novo governo interino do país, que assume o poder no próximo dia 30 de junho.

O governo encara o grande problema de ter de restaurar a ordem e, caso não consiga, enfrenta a perspectiva de que os combates continuem.

Dezenas de iraquianos assim como alguns americanos foram mortos nos ataques realizados contra instalações militares e governamentais.

O dilema do governo é que ele depende de tropas americanas e internacionais, mas é a presença dessas tropas que motiva os insurgentes.

Ataques nos dias próximos a 30 de junho e após esse prazo foram previstas pelas autoridades da coalizão que ocupa o Iraque, mas isso não diminiui a amaeça que elas representam.

Ameaça de morte

Os insurgentes demonstraram ser capazes de organizar ações coordenadas e destrutivas.

Um website na Arábia Saudita afirmou que os ataques em uma cidade, Baquba, foram obra do militante islâmico Abu Musab al Zarqawi.

A declaração dizia que os moradores deveriam permanecer em casa porque haverá mais ataques nos próximos dias contra "as forças de ocupação e aqueles que as apóiam".

Zarqawi já havia anteriormente ameaçado de morte o primeiro-ministro interno Iyad Allawi, portanto está claro que o governo interino é o alvo, não apenas os americanos e outras forças estrangeiras.

Esta passagem de uma fita supostamente gravada por Zarqaqi e publicada em vários websites no dia 23 de junho dá bem o clima do momento.

"Quanto a você, Allawi, desculpe, o primeiro-ministro democraticamente eleito, nos preparamos para você um veneno mortal e uma espada afiada, e guardamos para você um copo cheio do cheiro da morte.

"Em diversas ocasiões no passado, sem sabê-lo, você escapou de bem planejadas armadilhas que preparamos para você.

"No entanto, nós prometemos que continuaremos o jogo até o fim."

Segurança e ordem

O governo interino sofrerá fortes pressões para restaurar a ordem. Ele já ameaçou impor a pena de morte, ainda que não esteja claro que diferença isso faria.

Os iraquianos também não contam com forças suficientes para impor toques de recolher e há relatos de que, ao menos em algumas cidades, a polícia local tem sido solidária com os rebeldes.

O verdadeiro problema é que o futuro governo será um governo não-eleito e que, portanto, não poderá reivindicar legitimidade popular.

A eleição que escolherá a Assembléia Nacional está prevista para o fim de janeiro. Caberá à Assembléia a escolha do governo de transição.

O governo transitório, por sua vez, dará lugar a um governo eleito ao final de 2005.

A questão é se, em algum momento os insurgentes aceitrarão qualquer um desses governos, especialmente se as tropas internacionais permanecerem no país.