22 de junho, 2004 - 12h17 GMT (09h17 Brasília)
Carga dupla contra os republicanos esta semana: Bill Clinton, o livro, e Michael Moore, o filme.
No livro e nas entrevistas, o ex-presidente Clinton pega pesado contra a direita republicana, mas não contra o presidente Bush.
Michael Moore pega pesado. Ele não esconde suas ambições de usar seu filme Fahrenheit 9/11 para tirar o presidente Bush da Casa Branca.
Uma gravação apagada de 18 minutos derrubou Nixon, mas nenhuma obra de arte, ficção ou documentário, teve o mesmo efeito.
Advogados
Michael Moore montou um bunker para defender seu filme do contra-ataque republicano.
Advogados e pesquisadores contratados por ele ainda estão conferindo palavra por palavra, imagem por imagem, antes do lançamento do filme nesta sexta-feira, em 500 salas.
As partes mais vulneráveis do documentário são sobre conexões da família Bush com a de Bin Laden. Elas existiram, e as pessoais ainda existem, mas Michael Moore partiu de uma informação errada para fazer o documentário.
Ele estava com a mulher em Los Angeles quando as torres foram derrubadas. A filha do casal estava em Nova York, mas Michael e a mulher não conseguiram embarcar, porque nenhum avião estava decolando depois do atentado. Alugaram um carro e atravessaram o país.
Michael Moore leu na revista The New Yorker que a família Bin Laden e outros sauditas conseguiram permissão especial da Casa Branca para decolar em aviões fretados.
Da indignação dele surgiu o filme, mas, na realidade, os vôos dos sauditas só decolaram depois do dia 14 de setembro, quando os aeroportos tinham sido reabertos para aviões comerciais.
A parte que mais enfurece os republicanos não é sobre os sauditas, mas sobre o presidente e o livro infantil Meu Cabritinho.
Ele estava numa sala de aula na Flórida lendo para as crianças quando o chefe da Casa Civil cochichou no ouvido dele que o país estava sendo atacado.
O presidente continuou lendo por mais sete minutos com uma expressão
cada vez mais parva, ridícula e indefensável. Chega a ser aflitiva. George Bush queria dar a impressão que tudo estava sob controle.