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22 de junho, 2004 - 11h09 GMT (08h09 Brasília)

Irã vai indiciar britânicos detidos no mar, diz TV

O Irã vai indiciar oito militares da Marinha britânica presos após terem sido acusados de invadir as águas territoriais iranianas.

Três embarcações da Grã-Bretanha e todos os seus tripulantes foram apreendidos pelo Irã na região conhecida como Shatt al-Arab, perto da fronteira com o Iraque, no Golfo Pérsico.

A TV estatal iraniana Al-Alam disse que os militares admitiram ter ultrapassado a fronteira.

Diplomatas britânicos vêm tentando convencer o governo de Teerã a libertar os soldados e encerrar a crise, descrita por eles como um "engano infeliz".

Sem acesso

Os representantes britânicos na capital iraniana pediram acesso consular aos homens detidos, mas ainda não receberam resposta nem foram informados sobre a localidade em que eles estão sendo mantidos.

O chanceler britânico, Jack Straw, conversou nesta terça-feira com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Kamal Kharazzi.

O correspondente da BBC em Teerã Jim Muir afirma que eles possuem um bom relacionamento político, mas que não está claro se o diálogo levará a alguma resolução.

O Irã vem interrogando os detidos que, segundo as autoridades de defesa da Grã-Bretanha, são parte de uma equipe de treinamento da Marinha que transportava um barco do porto iraquiano de Umm Qasr para Basra.

Um porta-voz disse em Londres que o país tem utilizado barcos para treinar o novo serviço iraquiano de patrulhamento dos rios, e que esses barcos devem ter ultrapassado a divisa marítima do Irã por engano.

As embarcações estavam desarmadas, mas os tripulantes levavam as suas armas, acrescentou o porta-voz.

O episódio acontece num momento de forte tensão nas relações entre os dois países.

Conservadores iranianos realizaram uma série de manifestações em frente à embaixada britânica em Teerã nas últimas semanas, em protestos contra a ocupação do Iraque.

A Grã-Bretanha também é alvo de críticas pelo seu papel na formulação de uma dura resolução contra o programa nuclear do Irã aprovada na semana passada pela Agência Internacional de Energia Atômica.