22 de junho, 2004 - 00h03 GMT (21h03 Brasília)
Lourdes Heredia
de Washington
O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Kofi Annan, pediu nesta segunda-feira que o órgão aprove uma resolução condenando todas as formas de anti-semitismo durante sua Assembléia Geral, que se realiza em setembro.
Durante uma conferência sobre o anti-semitismo promovida pela ONU, Annan denunciou o que qualificou de “ressurgimento alarmante” do problema e advertiu que “o mundo não tem o direito de ficar em silêncio”.
“A propagação do anti-semitismo em qualquer parte do mundo é uma ameaça para todas as pessoas. Por isso, ao combatê-lo, lutamos pelo futuro da humanidade como um todo”, disse o secretário-geral.
Líderes da comunidade judaica vêm acusando a ONU de não tratar a questão do anti-semitismo com a atenção necessária e de aprovar um número alto demais de sanções contra Israel.
Palestinos
O Congresso Mundial Judaico já havia se manifestado a favor de que a ONU adotasse a resolução para condenar a prática.
Kofi Annan enfatizou que, ao defender os direitos palestinos no conflito entre eles e os israelenses, a ONU não está, de forma alguma, propagando o ódio contra os judeus.
“Quando procuramos, como se deve fazer, buscar justiça para os palestinos, devemos condenar firmemente todos aqueles que utilizam essa causa para incitar o ódio contra os judeus, seja em Israel ou em outro lugar”, disse.
Os judeus de todo mundo, ressaltou o secretário-geral, devem ter a certeza de que “as Nações Unidas são um lar para eles”.
Não obstante, Annan admitiu que o desempenho da ONU na luta contra o anti-semitismo nem sempre foi satisfatório, e pediu a colaboração de todos os países membros na tentativa de frear o avanço do problema.
“Devemos de forma ativa e sem compromisso rejeitar aqueles que negam os fatos do holocausto e seu caráter único, e aqueles que continuam espalhando mentiras sobre os judeus e o judaísmo.”