18 de junho, 2004 - 01h15 GMT (22h15 Brasília)
O maior grupo rebelde esquerdista colombiano, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), admitiu a autoria do massacre de 34 agricultores na última terça-feira.
Nota da Farc disse que os agricultores apoiavam paramilitares de direita e acusa o governo de derramar "lágrimas de crocodilo pelas mortes".
O ataque, na província de Norte de Santander, no nordeste do país, perto da fronteira com a Venezuela, foi o pior desde que o presidente Álvaro Uribe assumiu o cargo, há dois anos.
A Organização das Nações Unidas condenou o massacre, qualificando-o como "crime de guerra".
O Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos na Colômbia descreveu o ataque como o "assassinato premeditado de civis desarmados e totalmente indefesos".
Tiros
Um comandante regional da polícia, William Montezuma, disse à BBC que 50 homens armados recolheram os camponeses nas primeiras horas da manhã de terça-feira no vilarejo de Rio Chiquita e mataram-nos a tiros.
Segundo Montezuma, no passado houve disputas entre camponeses e guerrilheiros esquerdistas pelo controle de terras na área.
Agricultores sem-terra freqüentemente colhem folhas de coca e vendem-nas tanto para guerrilheiros esquerdistas quanto para seus opositores da direita, o que pode torná-los alvo de represálias.
Ataque
Os camponeses, que vinham trabalhando na fazenda há cerca de quinze dias, dormiam em redes quando os homens armados chegaram.
Eles tiveram suas mãos e pés atados com cordas e foram baleados com armas automáticas.
"Nós nos salvamos correndo para o morro", disse Jesus Bayona, sobrevivente do massacre baleado no pé, à agência de notícias AP.
O presidente Uribe prometeu acabar com a violência, que atinge a Colômbia há décadas, e aumentar o orçamento militar.
Na sexta-feira, Uribe deve iniciar conversações com o grupo paramilitar de direita AutoDefesas Unidas da Colômbia (AUC), um dos principais rivais das Farc.
"Nós condenamos o massacre feito pela Farc ... realizado contra uma comunidade camponesa que não tem nada a ver com o conflito," disse um alto comandante da AUC, Salvatore Mancuso.