17 de junho, 2004 - 17h02 GMT (14h02 Brasília)
O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton disse que teve o caso com a estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky "porque podia fazê-lo".
Ele também disse considerar que esta era a "pior razão possível" para ter se envolvido em algo que definiu como um "terrível erro moral".
Mas Clinton disse à rede de televisão CBS que nunca cogitou renunciar ao cargo por causa do escândalo e que sua luta contra o impeachment foi uma questão "de honra".
Trechos da entrevista foram divulgados antes da transmissão do programa no domingo.
O depoimento dá início a uma turnê para divulgar o livro de memórias de Clinton, My Life, que tem 957 páginas e chega às lojas americanas na terça-feira.
O caso de Clinton com a estagiária Lewinsky quase lhe custou a Presidência, levando ao seu impeachment pela Câmara dos Representantes em dezembro de 1998. Mas o Senado americano revogou a decisão em fevereiro de 1999, permitindo que ele completasse seu mandato.
Fez porque podia
Clinton disse ao programa 60 Minutes que lamentava seu caso com Lewinsky.
O ex-presidente disse que sua ação é moralmente indefensável, e que sua mulher, Hillary, hoje senadora democrata por Nova York, tinha precisado de tempo para decidir se ia deixá-lo.
Durante mais de um ano, o casal fez terapia uma vez por semana.
Clinton enfatizou, no entanto, que o processo de impeachment contra ele foi um abuso de poder e jamais deveria ter acontecido.
“Nunca renunciei, nunca pensei em renunciar. Firmei o pé e ataquei de volta”, disse.
“A batalha toda foi uma questão de honra. Não a vejo como uma mancha, porque (o processo de impeachment) foi ilegítimo, um abuso de poder.”
O livro de Clinton, que teria rendido a ele mais de US$ 10 milhões (R$ 31,4 milhões), deve vender bem. A tiragem inicial é de 1,5 milhão de cópias.
O livro em que Hillary Clinton fala de sua passagem pela Casa Branca, Vivendo a História, vendeu 1,7 milhões de cópias e bateu recorde de vendas para um livro de não-ficção.