17 de junho, 2004 - 06h49 GMT (03h49 Brasília)
A rede extremista Al-Qaeda planejava originalmente seqüestrar dez aviões nos Estados Unidos para atingir diversos alvos no país, disse a comissão americana que investiga os ataques de 11 de setembro de 2001.
Relatório preliminar diz que a Casa Branca, o Capitólio (sede do Congresso), os escritórios da CIA (serviço secreto americano) e do FBI (polícia federal americana), usinas nucleares e locais na Califórnia seriam atacados.
Segundo o documento, o líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, vetou o plano, preferindo ver entre os alvos o World Trade Center e o Pentágono.
Um outro relatório afirmou que "não há provas plausíveis" de que o antigo regime de Saddam Hussein no Iraque tenha ajudado a Al-Qaeda a organizar os atentados.
Dick Cheney
Os dois relatórios preliminares foram publicados antes da sessão pública final da comissão.
Eles contrariam declarações do vice-presidente americano, Dick Cheney, da existência de laços duradouros de Saddam com a Al-Qaeda, parte da justificativa da administração Bush para invadir o Iraque.
Os ataques de 11 de setembro mataram quase 3 mil pessoas depois que membros da rede de Bin Laden seqüestraram três aviões, chocando-os em pleno vôo contra as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York e, o Pentágono, em Washington.
Um quarto avião seqüestrado caiu na Pensilvânia.
Nesta quinta-feira, altos funcionários da aviação civil e militar americana vão depor sobre suas respostas aos ataques.
O relatório final da comissão é esperado para o dia 28 de julho.
Ambicioso
A comissão, que incluiu integrantes dos partidos democrata e republicano, publicou dois relatórios independentes: um com as linhas gerais do plano para o 11 de Setembro e outro específico sobre a Al-Qaeda.
O primeiro documentdo diz que Khalid Sheikh Mohammed, suposto membro da Al-Qaeda, foi quem inicialmente propôs um ataque a vários alvos americanos com dez aviões seqüestrados.
O próprio Mohammed, que está sob custódia americana há mais de um ano, também queria pilotar um dos aviões.
Mas em vez de jogá-lo contra uma construção, ele mataria todos os passageiros homens, poupando mulheres e crianças. Em seguida, faria um pronunciamento na televisão denunciando a política americana no Oriente Médio.
O plano mais ambicioso teria sido rejeitado por Osama Bin Laden, que então escolheu o World Trade Center e o Pentágono.
Um ano antes
Segundo o relatório, Bin Laden também queria que os ataques se realizassem um ano antes, mas o plano foi adiado porque não havia um bom número de pilotos treinados para arremessar aviões contra prédios.
O documento diz ainda que muitos dos membros do grupo que elaborou o plano não conseguiram terminar o treinamento de pilotagem nem atingiram um bom nível de inglês.
O plano para o 11 de Setembro teria sido elaborado em bases da Al-Qaeda no Afeganistão e, segundo a comissão americana, teria custado cerca de US$ 500 mil.
A comissão também descobriu que a Al-Qaeda ainda está "extremamente interessada em promover ataques químicos, biológicos, radiológicos ou nucleares".
'Inimigo'
O outro relatório, intitulado Visão Geral do Inimigo, descreve as raízes da Al-Qaeda e suas atividades.
O documento diz que Bin Laden explorou a possibilidade de cooperação com o Iraque, apesar de sua oposição ao regime de Saddam Hussein.
Um alto funcionário do serviço de inteligência do Iraque teria se encontrado com Bin Laden em 1994.
O líder da Al-Qaeda buscava na época espaço para montar seus campos de treinamento e ajuda para obter armas, mas o Iraque não respondeu aos pedidos.
"Há relatos de que houve contatos entre o governo do Iraque e a Al-Qaeda mesmo depois que Bin Laden voltou para o Afeganistão, mas não há provas plausíveis de que os dois tenham atuado conjuntamente em ataques contra os Estados Unidos."