15 de junho, 2004 - 19h02 GMT (16h02 Brasília)
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, não quis marcar uma data para a transferência de custódia do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein ao governo interino do Iraque.
Bush disse a repórteres que antes deve ser preparada a "segurança apropriada" para efetuar a transferência.
Os Estados Unidos e o governo do Iraque não querem "que Saddam Hussein não enfrente julgamento", disse Bush na Casa Branca.
O primeiro-ministro do Iraque, Iyad Allawi, disse querer que Saddam seja transferido antes de 30 de junho, data da devolução da soberania aos iraquianos.
Em entrevista à TV Al-Jazeera nesta segunda-feira, Allawi disse que isso aconteceria "dentro de duas semanas".
Instalações
A Cruz Vermelha disse que Saddam deveria ser solto ou acusado formalmente antes do fim de junho.
O chefe do tribunal especial para crimes de guerra no Iraque, Salem Chalabi, disse que o país "muito em breve" teria instalações apropriadas para a detenção de Saddam Hussein.
Chalabi disse que as autoridades iraquianas estavam se preparando para emitir mandados de prisão para os ex-líderes do país.
A coalizão liderada pelos Estados Unidos faria a transferência de custódia deles "desde que mostremos mandados de prisão baseados em argumentos razoáveis", disse ele à agência de notícias France Presse.
Prisioneiros de guerra
No domingo, a Cruz Vermelha insistiu que o ex-presidente do Iraque, considerado um prisioneiro de guerra, não pode continuar sob a custódia das forças americanas depois do fim do conflito.
"O caso dele é o mesmo de todos os prisioneiros de guerra", disse Nadia Doumani, que fala pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha em Bagdá.
A Convenção de Genebra determina que, se prisioneiros de guerra estão presos porque são combatentes inimigos – não tendo recebido acusação formal –, eles devem ser soltos quando o conflito termina.
"Saddam Hussein pode ser condenado por crimes de guerra, por crimes contra a humanidade, então ele pode ser julgado e acusado", disse Doumani.
"Se ele não for acusado formalmente, então a lei diz que, ao fim da guerra, da ocupação, ele deve ser libertado", acrescentou.
Saddam Hussein vem sendo mantido em local secreto desde sua captura pelas forças americanas em dezembro e vem sendo interrogado pela CIA e pelo FBI.
Acredita-se que ele vai ser acusado formalmente por genocídio e crimes contra a humanidade.
A Cruz Vermelha fez duas visitas a ele para verificar as condições em que está sendo mantido.
O Exército americano disse que vai libertar ou transferir aos iraquianos até 1,4 mil prisioneiros antes de 30 de junho.
No entanto, pretende manter presos entre 4 mil e 5 mil prisioneiros a quem classifica como uma ameaça à coalizão.
Cerca de 400 prisioneiros foram soltos de Abu Ghraib nesta segunda-feira e dezenas de outros foram informados de sua iminente libertação.