15 de junho, 2004 - 14h13 GMT (11h13 Brasília)
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse que não será forçado a mudar a sua orientação política em razão dos maus resultados de seu Partido Trabalhista nas eleições desta semana para o Parlamento europeu.
Ele afirmou que "não é surdo à voz do eleitorado", mas que está convencido de que sua decisão de ir à guerra no Iraque foi correta.
E apesar do crescimento do Partido da Independência da Grã-Bretanha (UKIP, sigla em inglês, a favor da retirada do país da União Européia), Blair argumentou que não permitirá que a Grã-Bretanha fique "marginalizada na Europa".
Na entrevista coletiva que concede mensalmente, o primeiro-ministro prometeu também acelerar reformas no sistema público de saúde, alvo de fortes críticas da população e da oposição.
Conservadores
O líder da oposição conservadora, Michael Howard, também declarou a parlamentares que não pretende mudar seus rumos após a eleição.
Os dois principais partidos registraram seus piores resultados nas urnas em décadas, enquanto o UKIP mais que dobrou sua votação de 1999, obtendo 16% do total.
Liderado pelo ex-apresentador de TV Robert Kilroy-Silk, o UKIP quadriplicou o seu número de representantes no Parlamento europeu para 12.
Blair deve ter de enfrentar críticas sobre a sua atuação na crise iraquiana, vista como uma das razões para a derrota trabalhista.
Mas ele disse a parlamentares que o seu partido terá de focar em questões domésticas se quiser conquistar um terceiro mandato consecutivo.
"Temos de manter a confiança em nossos argumentos, conter os nervos e acreditar que vamos vencer", declarou Blair, segundo um porta-voz.
Os trabalhistas tiveram uma queda de 6% em sua votação para o Parlamento europeu. Tiveram apoio de apenas 23%, seu pior resultado desde antes da Primeira Guerra Mundial.
Os conservadores tiveram mais votos, 27%, mas ainda assim essa foi a sua pior votação em qualquer tipo de eleição nacional desde 1832.