13 de junho, 2004 - 14h02 GMT (11h02 Brasília)
Diego Toledo
enviado especial ao Porto
"Desilusão", "Lágrimas na festa", "Haja fé!", "E agora Scolari?". As manchetes dos jornais portugueses neste domingo refletem o clima de decepção que contagiou o país após a derrota por 2 a 1 para a Grécia, na cidade do Porto, na abertura da Eurocopa 2004.
As críticas mais duras foram publicadas no Correio da Manhã. O jornal afirma que o resultado ameaça uma seleção "em que cada um joga por si" e acusa Scolari de abusar da teimosia.
"Um selecionador (Scolari) que não toma as decisões urgentes e uma vedete (Figo) incapaz de liderar um grupo onde já não se revê, eis a seleção de Portugal. Triste fado", diz o Correio da Manhã.
"O problema de Portugal é sobretudo a teimosia de Scolari, que não tem uma equipe e não aproveita a base que o Porto campeão europeu lhe poderia dar", acrescenta o jornal.
"Custa ver delapidar desta maneira um trabalho fantástico feito pelo país na organização deste evento, mas, como está à vista, é muito mais fácil construir dez estádios do que uma equipe."
Safanão grego
No diário esportivo O Jogo, um editorial diz que o "safanão grego fez estremecer os índices de confiança do país".
"'Sargentão' de alcunha, Scolari sabe melhor do que ninguém que a moral das tropas não é conquistada com palavras de ordem, mas sim com os triunfos em campo, sendo dele uma (grande) fatia das responsabilidades. Para o bem e para o mal", diz um outro artigo, assinado por um comentarista do jornal.
Outro jornal português com críticas a Luiz Felipe Scolari é o Público. O diário diz que Portugal começou a Eurocopa com lágrimas e o treinador brasileiro "não teve arte nem engenho e repetiu os erros do passado".
Apesar de reconhecer que não se pode responsabilizar o treinador pelo "'medo cênico', que parecia fazer tremer algumas pernas portuguesas", e pelo erro que resultou no primeiro gol da Grécia, o Público diz que o jogo "serviu para comprovar que Scolari necessita urgentemente de mudar de idéias".
"Chegou a ser ridículo ver (Cristiano) Ronaldo cruzar três ou quatro vezes ao segundo poste e os portugueses surgirem ao primeiro", afirma o jornal. "Afinal de contas, o que anda Scolari a ensaiar nos treinos à porta fechada?"
Para o Diário de Notícias, o "excesso de nervos, erros defensivos, passes falhados e um ataque inconsistente ditaram a derrota da seleção portuguesa no jogo inaugural da Euro 2004".
Pior impossível
Já o Jornal de Notícias diz que o treinador brasileiro falhou na preparação do jogo e na formação da equipe inicial. "Scolari chumbou estrondosamente no primeiro jogo a sério. Os jogadores também chumbaram", afirma o diário.
Em um artigo para a publicação, o escritor Francisco José Viegas afirma que, "como se diz no Brasil, esta seleção não tem vícios - ou seja, não bebe, não fuma e não joga."
O diário esportivo A Bola estampa na primeira página a palavra "não", em letras garrafais, em cima das fotos em que jogadores portugueses lamentam lances marcantes do fracasso diante da Grécia.
O jornal também repete as críticas à escalação da seleção portuguesa, mas afirma que as substituições realizadas pelo técnico da equipe foram corretas.
"Pode culpar-se Scolari de uma má escolha inicial, até de ter levado demasiado tempo em optar pela mudança, mas o brasileiro decidiu bem... quando decidiu."
A Bola, no entanto, também fez coro à avaliação de que a apresentação de Portugal ficou muito abaixo das expectativas.
"Caros leitores, a boa notícia é que... pior é impossível", diz o jornal. "Portugal fez tudo o que não devia."