13 de junho, 2004 - 02h55 GMT (23h55 Brasília)
Diego Toledo
enviado especial ao Porto
A abertura da Eurocopa em Portugal deveria ser uma festa. E foi... até o primeiro gol da Grécia.
A surpreendente derrota da seleção anfitriã do torneio desmoronou a confiança que o técnico Luiz Felipe Scolari conquistava aos poucos junto aos portugueses e colocou o treinador sob pressão.
O abatimento de Scolari após a partida era evidente, mas também incomum no gaúcho de temperamento forte, que conseguiu motivar a torcida portuguesa, mas não contava com a fragilidade emocional de seus jogadores.
O palco da decepção do treinador brasileiro foi a cidade do Porto, onde a presença de Scolari no comando da seleção sempre foi vista com ressalvas - principalmente por ele não ser português e por insistir em não convocar o goleiro Vitor Baía, um ídolo local.
Mesmo assim, nos dias que antecederam o início da Eurocopa, a 'capital do norte' de Portugal abandonou as críticas à seleção e vestiu as cores do país para atender ao apelo do técnico, que havia pedido bandeiras nas ruas e o apoio da torcida.
A derrota para a Grécia foi um duro golpe nessa "trégua" informal. Se, antes da partida, alguns dos principais críticos de Scolari - como Pinto da Costa, presidente do Porto - começavam a mudar de opinião sobre o treinador, após o jogo, ainda que timidamente, alguns torcedores culpavam o técnico pelo fracasso na estréia.
Vida ou morte
A primeira atitude de Scolari para tentar reconquistar o terreno perdido foi apelar à franqueza e reconhecer os erros cometidos pela seleção portuguesa contra a Grécia.
A segunda foi chamar a responsabilidade pela derrota e evitar expor os jogadores de quem tanto se esperava e que tão pouco produziram.
O treinador tenta, assim, combater a falta de confiança da seleção portuguesa, um problema crônico que atinge a equipe desde a Copa de 2002, antes mesmo da chegada do técnico brasileiro.
Mas Scolari sabe que qualquer estratégia depende de uma vitória na partida da próxima quarta-feira, em Lisboa, contra a Rússia. Tanto é que o próprio treinador descreveu o jogo, válido pela segunda rodada da Eurocopa, como um duelo de "vida ou morte".
A opinião do brasileiro foi reforçada pela derrota da Rússia para a Espanha na outra partida disputada no sábado pelo Grupo A da Euro 2004. A equipe que sofrer um novo tropeço na quarta-feira praticamente dá adeus ao torneio.
Opções
Para impedir um fim prematuro ao sonho de sucesso da seleção portuguesa na Eurocopa, Scolari também terá que mudar a formação da equipe.
O jogo contra a Grécia mostrou que Portugal tinha falhas no meio-campo e um poder ofensivo muito limitado.
As saídas de Simão e Rui Costa, substituídos no intervalo, não resolveram os problemas, mas fortaleceram a equipe. O artilheiro Pauleta, que tinha a missão de comandar o ataque português, também foi muito mal e exibiu sinais de cansaço.
Scolari tem boas opções, mas elas se limitam aos três jogadores que entraram no segundo tempo da partida de estréia: Deco, Cristiano Ronaldo e Nuno Gomes. Pelo menos dois dos três substitutos merecem um lugar no time titular.
Pauleta, até por ser o único jogador português com características de goleador, deve permanecer na equipe. E Rui Costa, que vive uma fase ruim em seu clube (o Milan, da Itália), dá sinais de que sua longa trajetória na seleção está perto do fim.