12 de junho, 2004 - 01h41 GMT (22h41 Brasília)
As autoridades sérvias da Bósnia admitiram oficialmente, pela primeira vez, que suas forças participaram do massacre de milhares de bósnios muçulmanos na cidade de Srebrenica em 1995.
A admissão foi feita em um relatório preparado por uma comissão do governo da Bósnia Herzegovina, criada para investigar o massacre.
O documento diz que militares servo-bósnios e policiais, assim como forças policiais e agentes do Ministério do Interior bósnio, participaram de “graves” violações dos direitos humanos em Srebrenica e tomaram medidas para tentar esconder o que ocorreu.
O massacre de Srebrenica é considerado a pior atrocidade cometida na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Foragidos
Até agora, os corpos de mais de seis mil homens e meninos, vítimas no episódio, foram retirados de valas comuns.
O documento bósnio também revelou que foram descobertas 32 novas valas comuns e detalhes sobre a operação contra os muçulmanos.
As forças servo-bósnias teriam planejado uma operação em três estágios: ataque a Srebrenica, separação de homens e mulheres e execução dos homens.
A comissão também anunciou que, de acordo com seus registros, 7779 desapareceram na região de Srebrenica e apenas 1332 foram identificadas.
O Tribunal Criminal Internacional para a Ex-Iugoslávia, com sede na Holanda, já indiciou dois líderes bósnios sérvios por genocídio por envolvimento no massacre, que ocorreu durante a Guerra da Bósnia (1992 – 1995).
No entanto, os dois, Ratko Mladic e Radovan Karadzic, continuam foragidos.