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11 de junho, 2004 - 12h33 GMT (09h33 Brasília)

Shell pode ter de sair da Nigéria até 2008, diz relatório

Uma pesquisa feita na Nigéria a pedido da Royal Dutch Shell afirma que a multinacional do petróleo pode ser forçada a deixar o país em razão do conflito na região do delta do rio Níger.

O estudo, preparado por consultores pagos pela Shell, diz que as operações da empresa poderiam ser gravemente afetadas pelos combates entre grupos rivais e pelo crime.

O relatório observa também que a gigante petrolífera fomentou “sem querer” o conflito, ao assinar contratos, comprar terras ou negociar acordos com diferentes líderes da região do delta.

A Shell disse discordar de um dos prognósticos dos consultores, que sugere que a empresa seria forçada a deixar a Nigéria até 2008.

Mas confirmou que teme uma piora no conflito regional.

Corrupção

Em outro relatório, publicado na quinta-feira, a Shell já havia admitido que suas atividades na Nigéria ajudaram a alimentar a corrupção, a pobreza e conflitos no país africano.

A empresa encomendou em 2003 um estudo independente para compreender melhor como a sua presença contribuía para os conflitos nigerianos.

"Como parte de uma indústria que inadvertidamente contribui para o problema estamos preparados para ajudar", disse Emmanuel Etomi, gerente para desenvolvimento comunitário da Shell.

Cerca de 10% da produção mundial da companhia tem base no petróleo e gás natural extraído da Nigéria.

A imagem pública da Shell foi duramente prejudicada nos últimos anos. Apesar de esforços para melhorá-la, muitos vêem a empresa como um grupo que causa danos ambientais e patrocina regimes corruptos.

Uma ação jurídica coletiva está sendo preparada e será apresentada nos próximos meses, acusando a Shell de apoiar operações militares no delta do Níger há mais de dez anos.