11 de junho, 2004 - 11h37 GMT (08h37 Brasília)
Confrontos entre militantes ligados ao líder xiita Moqtada Al-Sadr e policiais iraquianos deixaram pelo menos seis iraquianos mortos na cidade de Najaf.
O enfrentamento entre os milicianos e a polícia começou na quarta-feira e se estendeu até a virada de quinta para sexta-feira - não houve a participação de americanos na ação.
A polícia do Iraque está realizando patrulhas na área de Najaf, tida como uma cidade sagrada pelos xiitas, desde o fim de semana passado.
As patrulhas fazem parte de uma trégua acertada entre os milicianos de Sadr e as tropas americanas na região.
Sadr concordou em pedir que militantes que não moram em Najaf e em Kufa, cidade vizinha, deixassem os combates, desde que as tropas americanas também deixassem de patrulhar as duas localidades.
No dia 5 de junho, os iraquianos substituíram os americanos, que se recolheram às bases na periferia das cidades.
Apesar do acordo, há relatos de que os militantes continuaram a controlar partes de Najaf e Kufa.
Riscos
O confronto desta semana é um exemplo das dificuldades crescentes que os iraquianos enfrentam para controlar a violência no país.
Com a transferência de poder das autoridades americanas para o governo interino americano marcada para o dia 30 deste mês, os iraquianos estão assumindo crescente responsabilidade pela segurança de áreas do país.
E com o aumento da participação tem crescido também os confrontos diretos entre milícias iraquianas e a polícias do país – embora ataques contra iraquianos que colaboram com os Estados Unidos sejam uma constante desde o fim da guerra, no ano passado.
Também nesta semana, na cidade de Falluja, no norte do país, uma base da Defesa Civil iraquiana foi atacada com morteiros.
O temor é que com a menor participação das tropas estrangeiras no Iraque, os atuais conflitos - vistos como uma resistência a uma ocupação externa – degenerem para um conflito civil.
Apesar dos confrontos, também têm ocorrido avanços por parte do novo governo interino iraquiano para controlar o risco de um conflito interno.
Na segunda-feira, o novo prêmie do Iraque, Iyad Allawi, anunciou um acordo para dispersar uma série de milícias do país que controlariam 100 mil homens.
O acordo, porém, não incluiu os militantes ligados a Sadr.