10 de junho, 2004 - 15h13 GMT (12h13 Brasília)
Quando o pai batizou o filho com o nome de Clever, a intenção era homenagear o grande jogador do Atlético Mineiro da década de 50.
Clever nunca foi bom de bola, saiu de Belo Horizonte e veio para Nova York onde lavou pratos e depois foi dirigir um táxi. Os passageiros ficam intrigados porque nunca viram Clever como nome próprio. É um adjetivo que significa, esperto, habilidoso.
Clever faz jus ao nome e vai além. É um empreendedor corajoso. Publicou um livro sobre suas experiências dirigindo o táxi e vendeu 120 mil exemplares.
Foi o primeiro motorista de Nova York a colocar uma web câmera num táxi. De onde você estivesse podia fazer uma viagem no táxi de Clever pelas ruas da cidade.
O negócio nunca deu muito dinheiro e ele acabou vendendo o projeto para o Google por US$ 100 mil.
As aventuras de Clever da Silva já foram notícia no mundo inteiro e esta semana ele está de novo nos jornais. Acaba de lançar o filme Me , Myself and My Cab, uma comédia romântica quase toda passada dentro de um táxi em Nova York.
Clever é o ator principal, dirigiu e produziu depois de vender a própria casa para investir US$ 193 mil no filme.
Tenho minhas duvidas sobre a esperteza do investimento, mas ele esta se sentindo realizado, apostando no futuro.
Clever calcula que foi roubado umas dez vezes nestes 24 anos de motorista, mas esta vivo para contar a história e foi um dos assaltos que despertou a musa dele.
Clever foi dar queixa por escrito no distrito e os policiais começaram a rir do texto.
Ele se sentiu insultado, mas os policiais explicaram que não estavam rindo dele e sim do humor da descrição.
Clever saiu de lá esquecido do assalto e sentindo que tinha outros talentos.
Ele continua atrás do volante do táxi, que paga as contas, mas agora tem uma nova direção na vida.