10 de junho, 2004 - 23h53 GMT (20h53 Brasília)
Os líderes do G-8 reunidos nos Estados Unidos concordaram nesta quinta-feira em estender por mais dois anos um programa de alívio das dívidas de alguns dos países mais pobres do mundo.
A iniciativa, que é gerenciada pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), beneficia 27 países, a maioria deles africanos, e estava prevista para expirar no final deste ano.
Durante a reunião não houve acordo a respeito de uma proposta feita pela Grã-Bretanha de cancelar todas as dívidas destes países contraídas com organismos internacionais de crédito, como o Banco Mundial.
Grande parte das discussões entre os líderes do G-8 nesta quinta-feira foi dedicada à busca de soluções para os problemas da África.
Invadindo a festa
Sobre este tema, o presidente americano, George W. Bush, disse que “o comércio livre e justo é a chave do crescimento do mundo” e que “nós devemos continuar a reduzir as barreiras comerciais que são um obstáculo ao crescimento no mundo em desenvolvimento”.
Seis presidentes africanos foram convidados a participar da cúpula do G-8, a fim de discutir com o grupo propostas de desenvolvimento do continente.
O correspondente da BBC Rob Watson afirma que há com consenso em relação ao que os dois lados estão tentando conseguir.
A África vai continuar a buscar reforma econômica e política, enquanto o G-8 vai fornecer apoio financeiro, assessoramento e melhores condições de comércio.
Segundo o correspondente, os Estados Unidos mostraram interesse em uma nova iniciativa contra a Aids - um sistema de cooperação entre cientistas de todo o mundo que estão trabalhando em uma vacina contra o HIV.
Mas o presidente sul-africano, Thabo Mbeki, lamentou que os países ricos vejam os líderes da África como mendigos.
Apesar de elogiar a decisão do G-8 de convidar líderes de países africanos para seu encontro anual, Mbeki afirmou: "Nós ainda vamos ser pobres invadindo a festa".
A afirmação foi feita em um artigo publicado no jornal This Day, da África do Sul.
Segundo Mbeki, um dos coordenadores do primeiro plano interno de recuperação econômica da África, o Nepad, os governos africanos não devem depender de ajuda externa.