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09 de junho, 2004 - 08h10 GMT (05h10 Brasília)

Washington espera 100 mil em funeral de Reagan

O corpo do ex-presidente americano Ronald Reagan deve chegar a Washington nesta quarta-feira, vindo de Simi Valley, na Califórnia, onde foi velado em sua biblioteca presidencial.

Cerca de 80 mil pessoas visitaram o caixão fechado em Santa Monica, e a polícia da capital americana acredita que aproximadamente 100 mil irão prestar homenagens no Capitólio.

O caixão chegará à base militar Andrews, de onde seguirá para o centro de Washington, próximo à Casa Branca. De lá, o caixão será transferido em uma carruagem até o Capitólio.

Líderes de todo o mundo, incluindo o presidente George W. Bush, devem participar de uma missa na Catedral Nacional de Washington, e o governo americano qualificou o velório como um evento de segurança máxima.

Jujubas

Segundo a correspondente da BBC em Washington Daniella Relph, a capital americana não assiste a uma cerimônia desta escala desde o funeral do ex-presidente Lyndon Johnson, em 1973.

Em Simi Valley, o horário de visitas teve de ser ampliado, "devido ao enorme comparecimento".

Até a noite de terça-feira, os visitantes continuavam a usar todos os microônibus disponíveis para subir até o alto do monte onde está a biblioteca presidencial e as estradas locais ficaram congestionadas.

Os visitantes prestaram suas homenagens deixando objetos como bandeirinhas americanas e jujubas, o doce preferido de Reagan.

"Sabíamos que a resposta do público seria imensa, mas honestamente não pensávamos que seria tanto", disse o porta-voz da família Reagan, Gary Foster.

Polêmico

O enviado especial da BBC a Simi Valley, Michael Buchanan, diz que, em meio ao pesar, é fácil esquecer que Reagan foi um político polêmico.

Muitas das suas políticas de governo sofreram forte oposição por parte dos democratas.

O jornalista da BBC Nick Childs, especialista em assuntos de segurança, afirmou que, na sexta-feira, as forças armadas americanas vão homenagear um ex-chefe de Estado a quem eles devem muito.

Boa parte do poderio militar americano atual foi desenvolvido durante a era Reagan, inclusive os mísseis de cruzeiro e os bombardeiros B2.

Em Cuba, país que há décadas tem sido objeto de sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, uma rádio estatal anunciou a morte de Reagan com a frase: "Ele, que nunca deveria ter nascido, faleceu".

Depois do funeral em Washington, o corpo será novamente levado à Califórnia, onde será enterrado em uma cerimônia privada na hora do pôr-do-sol, na sexta-feira.

Reagan morreu em Los Angeles no sábado, aos 93 anos, após uma década de luta contra o Mal de Alzheimer.