09 de junho, 2004 - 16h45 GMT (13h45 Brasília)
O presidente da França, Jacques Chirac, jogou água fria no pedido dos Estados Unidos para expandir o papel da Otan (aliança militar do Ocidente) no Iraque.
O presidente americano, George W. Bush, tinha pedido um maior envolvimento da Otan para ajudar a estabilizar o Iraque.
Mas Chirac disse que não acredita que seja função da Otan intervir, ou que a medida seria bem compreendida.
"Tenho sérias reservas a essa iniciativa", disse Chirac.
Envolvimento
A declaração de Bush foi feita na manhã desta quarta-feira, após encontros com outros líderes presentes ao Estado americano da Geórgia para a cúpula do G-8 (grupo que reúne os sete países mais industrializados e a Rússia).
"Acreditamos que a Otan deve estar envolvida", afirmou Bush. "Trabalharemos com nossos amigos da Otan para pelo menos dar continuidade ao papel que já existe e, se possível, expandi-lo."
Países-membros da aliança, como os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a Itália e outros, já estão atuando com militares em solo iraquiano.
Apesar disso, a Otan não possui nenhum papel formal no processo de manutenção da segurança no Iraque.
Novo Exército
Autoridades americanas disseram à agência Associated Press que Washington gostaria de ver a Otan auxiliando no treinamento do novo Exército do país.
Há certa resistência para aceitar esse papel proposto por Bush entre altos funcionários da Otan, que acham que a aliança já está sobrecarregada com missões de alto custo como a que mantém no Afeganistão.
Bush se reuniu no café da manhã em uma conversa privada com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair.
Ele também tinha previsto um encontro com o recém-apontado presidente interino do Iraque, Ghazi Yawer.
O G-8 aproveitou a reunião de cúpula para anunciar detalhes sobre os seus planos de treinar e equipar uma força de manutenção de paz de mais de 50 mil soldados.
O contingente será formado para atuar sobretudo na África.
Segundo autoridades dos Departamento de Estado americano, a iniciativa foi adotada em resposta a demandas de países africanos, que têm pedido assistência para encerrar as guerras civis que assolam o continente.