06 de junho, 2004 - 07h27 GMT (04h27 Brasília)
O gabinete de ministros de Israel se reúne neste domingo para votar o plano do primeiro-ministro Ariel Sharon de "desligamento" da Faixa de Gaza.
Apesar de a maioria dos israelenses apoiar o plano, a idéia de Sharon ainda enfrenta rejeição de alguns ministros de seu gabinete.
O premiê tentou vencer resistências nos últimos dias para assegurar o apoio da maioria.
Na sexta-feira, Sharon demitiu dois ministros que eram contra o plano de desocupação.
Rejeição
Além de se retirar de toda a Faixa de Gaza, com exceção da fronteira com o Egito, Sharon planeja destruir quatro assentamentos na Cisjordânia.
Em abril, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, manifestou seu apoio ao plano de Sharon, causando polêmica.
O mesmo plano foi recusado pelo partido do próprio primeiro-ministro, o Likud, em um referendo em maio.
Apesar disso, Sharon continuou a tentar avançar com a proposta, sustentada pelos resultados de pesquisas de opinião, que apontam o apoio da maioria dos israelenses.
No sábado, manifestantes saíram às ruas em Jerusalém para mostrar apoio ao plano.
Os protestantes carregavam faixas com os dizeres "Saiam de Gaza, comecem a conversar". Em maio, cerca de 150 mil pessoas participaram de manifestação semelhante em Tel Aviv.
Demissão
A demissão de Benny Elon, do Turismo, e Avigdor Lieberman, dos Transportes, ambos do partido de direita União Nacional, fez com que o número de ministros contrários ao plano passasse para dez, contra 11 a favor.
Para tentar driblar sua demissão e poder votar neste domingo, Elon se escondeu de enviados que têm a missão de lhe entregar a notificação de sua saída.
Pela lei israelense, a demissão só é efetivada 48 horas depois que uma notificação é oficialmente entregue à pessoa.
Segundo analistas, o objetivo de Elon é ainda estar no cargo neste domingo, quando o gabinete de governo vai votar o plano de saída da Faixa de Gaza.
O Partido Nacional Religioso deve se reunir neste domingo, antes da votação, para discutir ajustes para o plano de Sharon.
O partido, cuja saída da coalizão do governo pode forçar Sharon a procurar novos aliados ou a convocar eleições, vai decidir se aprova o plano "em princípio", contanto que futuras retiradas de assentamentos sejam votadas novamente.