05 de junho, 2004 - 19h20 GMT (16h20 Brasília)
Milhares de jovens católicos receberam o papa João Paulo 2º na sua chegada a Suíça, na primeira viagem dele em nove meses.
Com aparência frágil e em uma cadeira de rodas, o papa abanou para as multidões, enquanto era recebido em Berna pelo presidente da Suíça, Joseph Deiss.
O papa participou de um encontro de jovens neste sábado e no domingo, vai celebrar uma missa ao ar livre.
A correspondente da BBC na Suíça, Imogen Foulkes, disse que os suíços estão animados, mas não vêem o pontífice com olhar totalmente desprovidos de críticas.
Desconforto
A Igreja Católica da Suíça tem, há muito tempo, uma relação desconfortável com o Vaticano.
A correspondente diz que muitos católicos gostariam de uma atitude mais relaxada em relação a contraceptivos e homossexualidade.
Deiss anunciou que a Suíça estava elevando as relações com o Vaticano, por meio da indicação de um embaixador para o lugar do representante de posição mais baixa que tem representado o país desde 1991.
Ele agradeceu ao papa pela visita, mas também reconheceu o ceticismo de muitos suíços.
"Numa terra democrática e de diversidade cultural, é natural que algumas doutrinas e preceitos de Sua Santidade provoquem intenso debate", disse Deiss, que é católico.
O papa, que tem 84 anos, falou com dificuldade, mas conseguiu ler seu discurso na três línguas oficiais da Suíça, alemão, francês e italiano.
Pela terceira vez, a providência divina me trouxe a esse país nobre, a Suíça, um cruzamento de línguas e culturas, para encontrar pessoas que mantêm tradições antigas e que estão abertas à modernidade", disse o papa.
Idade
A última visita do papa à Suíça foi em 1984.
As relações entre o Vaticano e a Igreja Católica da Suíça têm sido turbulentas às vezes.
Católicos moderados ficaram irritados com a indicação de um bispo suíço com visões tradicionais, em 1988.
Pesquisas mostram que três em cada quatro suíços acham que o papa está muito velho para o seu trabalho.
Poucas semanas antes da viagem dele, 40 padres e teólogos suíços escreveram a ele dizendo que ele deveria se aposentar.
O papa vai ficar em uma casa para idosos na Suíça, porque ele tem necessidade de acesso em cadeira de rodas.
A freira encarregada diz que se sente horada em dar as boas-vindas a ele. Mas ela também reflete o catolicismo suíço.
Se conseguir falar de forma privada com papa, disse ela, ela pretende defender a ordenação de mulheres.