04 de junho, 2004 - 07h22 GMT (04h22 Brasília)
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou estar pronto para o referendo sobre a sua permanência no poder. "Eu aceito, eu aceito", disse Chávez em um discurso em rede nacional de televisão.
Na quinta-feira, as autoridades eleitorais do país anunciaram que a oposição recolheu mais de 2,4 milhões de assinaturas, suficientes para forçar a realização do referendo.
"Espero que algumas pessoas percebam – caso elas ainda estejam confusas – que Hugo Chávez não é o tirano que dizem ser", afirmou o presidente.
Chávez disse que a votação será possível graças às mudanças constitucionais que ele promoveu e que o anúncio é uma vitória da democracia na Venezuela.
Celebração
Na quinta-feira, simpatizantes da oposição foram às ruas de Caracas com fogos de artifício para comemorar a decisão favorável ao referendo.
Mas, em seu discurso, Chávez criticou a oposição por celebrar cedo demais, dizendo que "a batalha de verdade apenas começou" e que está "disposto a vencê-la".
James Menendez, correspondente da BBC em Caracas, afirmou que o aparente ímpeto de Chávez de apoiar o referendo representa uma mudança de discurso.
No passado, o presidente manifestou dúvidas de que a oposição conseguisse reunir os 2,436 milhões de assinaturas necessários para a realização do plebiscito.
Quando a primeira petição foi apresentada, Chávez disse que se tratava de uma fraude.
Na quinta-feira, o diretor do Conselho Nacional Eleitoral, Jorge Rodríguez, afirmou que, apesar de os resultados da contagem não serem definitivos, eles apontam para uma "tendência clara" que deve ser confirmada.
A data para o referendo ainda não foi marcada, mas, de acordo com o correspondente da BBC, o plebiscito pode ocorrer no dia 8 de agosto.
Segundo Menendez, essa questão é agora fundamental, pois se o referendo se realizar depois de 19 de agosto e apontar uma derrota de Chávez, seu vice-presidente pode assumir sem necessidade de novas eleições – o que também seria uma derrota para a oposição.