03 de junho, 2004 - 17h08 GMT (14h08 Brasília)
As tropas da ONU (Organização das Nações Unidas) mataram pelo menos dois manifestantes durante os confrontos desta quinta-feira na República Democrática do Congo.
Os confrontos começaram com a captura da cidade de Bukavu por rebeldes, o que fez com que a violência se espalhar por outras cidades do país.
Muitas pessoas culpam a ONU por não ter evitado a retomada da violência. O correspondente da BBC em Kinshasa, Arnaud Zajtman, afirma que o processo de paz está em risco.
As tropas atiraram contra uma multidão que atacava o prédio onde funcionam os escritórios da organização em Kinshasa, a capital da República Democrática do Congo.
A multidão protestava contra a captura da cidade de Bukavu, a leste do país, por soldados dissidentes.
Fogo
Em Kinshasa, segundo o correspondente da BBC, os manifestantes atearam fogo a diversos carros da ONU, queimaram pneus e saquearam um depósito da organização. Ele afirma ter ouvido relatos de mais mortes, não confirmadas.
O líder rebelde afirma que seus soldados vão deixar Bukavu.
Os protestos começaram na quarta-feira, quando chegaram as notícias de que a cidade tinha sido capturada.
Também há relatos de manifestações contrárias à ONU em Bukavu, Kisangani e Kindu.
Em Lubumbashi, no sul do país, há informações de que estudantes foram feridos a bala, segundo o correspondente da BBC.
O presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, acusou a Ruanda de estar por trás dos rebeldes.
Bukavu está "sob o controle de ocupantes ruandeses", afirmou, dizendo ao correspondente da BBC que é "uma situação de guerra".
Ruanda negou qualquer envolvimento.
A ONU tem mais de 10 mil soldados na República Democrática do Congo, incluindo mil em Bukavu.