01 de junho, 2004 - 15h52 GMT (12h52 Brasília)
O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, está promovendo manobras diplomáticas para tentar salvar seu plano de retirada da Faixa de Gaza e retomar o apoio dentro da coalizão de governo.
Nesta semana, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Silvan Shalom, que tem divergências com Sharon a respeito do plano, vai ao Egito - país cujo presidente, Hosni Mubarak, se comprometeu a ajudar Sharon.
Analistas israelenses acreditam que Shalom pode vir a apoiar o projeto de retirada, dando ao premiê o voto que pode garantir a maioria necessária para levar a retirada adiante.
Sharon enfrenta o desafio de seu ministro das Finanças e colega do Partido Likud, o ex-premiê Binyamin Netanyahu, contrário ao plano de retirada. No início do mês, o Likud votou contra a versão inicial do plano.
Pesquisa
Uma pesquisa publicada no diário israelense Maariv desta terça-feira indica que 55% dos israelenses e 54% de eleitores do Likud aprovam o plano.
O projeto dá um novo fôlego para Sharon, um dia depois de um encontro do Likud ter sido interrompido, após parlamentares terem começado a confrontar Sharon.
A deputada Naomi Blumenthal acusou Sharon de ter desprezado o partido, ao ignorar os resultados da votação do dia 2 de maio, no qual os membros do Likud vetaram a retirada de 7,5 mil soldados e de colonos israelense da Faixa de Gaza.
Na semana passada, Sharon tentou sem sucesso apresentar uma nova versão do projeto de retirada. Mas a discussão sobre o plano com o gabinete israelense foi adiada por Sharon, uma vez que ele percebeu que não iria conseguir aprová-lo.
Rumo a Washington
O chefe de gabinete de Sharon, Dov Weiglasss, vai a Washington para assegurar ao governo americano que o premiê não pretende abdicar da retirada de Gaza.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, causou controvérsia ao apoiar o plano de retirada, quando se encontrou com Sharon, em abril. A controvérsia se deu porque o plano foi estabelecido unilateralmente, sem participação dos palestinos.
O projeto de Sharon foi dividido em três fases, com Israel se retirando de toda a Faixa de Gaza, à exceção da área que faz fronteira com o Egito. O premiê pretende também desmantelar quatro assentamentos na Cisjordânia.