29 de maio, 2004 - 01h17 GMT (22h17 Brasília)
Alexandre Mata Tortoriello
enviado especial a Guadalajara
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a formação de uma aliança internacional de combate à fome, convidou líderes mundiais para uma reunião sobre o tema nos Estados Unidos e afirmou que a integração regional e inter-regional, estreitando os laços políticos e econômicos entre os países, é um caminho para resolver a questão.
“A fome, a pobreza, a desigualdade e a exclusão dividem nossas sociedades. Geram instabilidade política. Contribuem diretamente para o aumento da insegurança. Põem em risco a governabilidade democrática. E podem representar ameaça à paz e à segurança internacionais”, alertou o presidente em discurso nesta sexta-feira na III Cúpula América Latina, Caribe e União Européia em Guadalajara, no México.
“Termino minha intervenção reiterando o convite enviado a todos os chefes de Estado e de Governo para que se somem aos presidentes (francês, Jacques) Chirac e Ricardo Lagos (Chile), ao secretário (geral da ONU) Kofi Annan, e a mim mesmo, no dia 20 de setembro, às vésperas da Assembléia Geral da ONU, para que sigamos e ampliemos o diálogo sobre o grande desafio de nossos dias: o do combate à fome, à pobreza e à exclusão social.”
O presidente ainda lamentou a piora da situação da fome na América Latina, apesar dos esforços de vários governos.
“A luta pela inclusão social não é batalha solitária. A convocação para a cooperação internacional tem partido, felizmente, de um número crescente de encontros e tem inspirado importantes iniciativas”, afirmou o presidente.
Maratona
Lula já deixou Guadalajara, onde passou 24 horas, para passar o fim de semana em Brasília.
O presidente partiu logo após a finalização dos trabalhos, sem esperar o jantar oficial oferecido pelo presidente mexicano, Vicente Fox.
Antes disso, Lula teve uma maratona de reuniões com líderes mundiais. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores, foram tantos pedidos de encontros que o presidente não pôde atender a todos.
Lula conversou em separado com oito líderes, entre eles os presidentes da França; da Comissão Européia, Romano Prodi; do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos; o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero; e o primeiro-ministro alemão, Gerhard Schröder.
Nas reuniões foram abordados temas relativos às relações comerciais, políticas, à coesão social e ao multilateralismo.
No encontro com Jacques Chirac, os chefes de Estado discutiram o envio de tropas ao Haiti e as relações entre o Mercosul e a União Européia.
Com o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, Lula também falou de combate à fome, do Mercosul e ouviu do premiê que a Espanha vai atuar como advogada do Brasil nas negociações de livre comércio entre o Mercosul e a União Européia, principalmente no que diz respeito à questão agrícola.