26 de maio, 2004 - 07h41 GMT (04h41 Brasília)
O principal comandante militar americano no Iraque, o general Ricardo Sanchez, vai ser substituído, segundo o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
Sanchez teria aprovado o uso de cães como ferramenta de interrogatórios na prisão de Abu Ghraib, segundo o jornal americano Washington Post.
O Departamento de Defesa nega, entretanto, que a substituição tenha sido decidida por causa do escândalo de abusos de prisioneiros ocorrido na prisão.
O jornal diz que o coronel Thomas Pappas testemunhou que a idéia veio do major-general Geoffrey Miller, enquanto esse comandava a prisão da Baía de Guantánamo, em Cuba, e foi aprovada por Sanchez.
Guantánamo
De acordo com uma transcrição obtida pelo Washington Post, Pappas disse ao investigar do Exército que esta era “uma técnica que eu discuti pessoalmente com o general Miller quando ele estava aqui”.
“Ele disse usar cães em Guantánamo e eles eram efetivos para criar uma atmosfera propícia para a obtenção de informações”, teria dito Pappas.
Miller, que assumiu o controle de Abu Ghraib neste mês, nega que a conversa tenha ocorrido. Seu porta-voz disse que “Miller nunca conversou com Pappas sobre o uso de cães em interrogatórios no Iraque”.
De acordo com o jornal, Pappas testemunhou que os interrogatórios incluíam o uso de cachorros para amedrontar prisioneiros nus e algemados.
Pelo menos quatro fotografias de Abu Ghraib mostram prisioneiros sendo ameaçados por cães.
Novo primeiro-ministro
Nesta quarta-feira, diplomatas das 15 nações integrantes do Conselho de Segurança da ONU se reúnem informalmente em Nova York para discutir a resolução sobre a transferência de poder no Iraque.
França e Rússia, duas nações com poder de veto no Conselho, mostraram-se preocupadas com o esboço da resolução apresentada na segunda-feira, que limita o poder dado ao novo governo do Iraque em relação às tropas estrangeiras .
O Conselho de Governo iraquiano elogiou o esboço, mas ressaltou que ele decepcionou por não garantir ao Iraque o direito de pedir para que as tropas estrangeiras deixem o país.
Membros do governo americano disseram que o nome mais provável para o cargo de primeiro-ministro no Iraque após a transferência de poder é o do xiita Hussain Shahristani.
Shahristani, de 62 anos, diz ser um conselheiro do aiatolá Ali Al Sistani, a maior autoridade xiita do Iraque.
Cientista graduado no Canadá, Shahristani foi detido na prisão de Abu Ghraib durante dez anos por ter se recusado a desenvolver o programa nuclear de Saddam Hussein.
Um funcionário do departamento de Estado americano disse que Shahristani seria apropriado para o cargo