24 de maio, 2004 - 16h03 GMT (13h03 Brasília)
Isabel Murray
enviada especial a Pequim
Brasil e China firmaram nesta segunda-feira dez acordos de governo, além de terem divulgado um comunicado conjunto destacando as diretrizes para a parceria entre os dois países.
O comunicado foi assinado em Pequim pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo presidente chinês, Hu Jintao, no Grande Palácio do Povo, sede do governo chinês.
Os acordos de governo, assinados por ministros dos dois países, cobrem várias áreas, desde o estabelecimento de uma comissão de alto nível para o relacionamento entre China e Brasil, até a cooperação aeroespacial, no programa de satélites sino-brasileiro, a cooperação esportiva e investimentos na infra-estrutura de portos e ferrovias brasileiras.
Já o documento conjunto assinado por Lula e Hu Jintao estabelece a cooperação entre os dois países e destaca a importância do G-20 – o bloco dos países em desenvolvimento liderado simbolicamente pelo Brasil.
Parceria
O comunicado conjunto também prega a parceria econômica entre Mercosul e China e informa sobre o convite de Lula para que Hu Jintao visite o Brasil – convite que já foi aceito.
Mas o governo brasileiro mais uma vez demonstrou ser contra a independência de Taiwan.
"O presidente Lula reafirmou a política brasileira de uma só China com capital em Pequim", afirmou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, após a cerimônia de assinatura dos atos.
"Para o Brasil, existe uma só China, e o Brasil apóia os esforços para a reincorporação progressiva e pacífica de Taiwan à China", completou o ministro.
Bloco
A criação de um forte bloco comercial envolvendo os países em desenvolvimento, para contrabalançar a economia mundial, também foi tema da conversa da tarde desta segunda-feira, de acordo com Amorim.
"A relação do Brasil com a China foi citada como exemplo entre os países em desenvolvimento. O presidente Lula lembrou que isso não é apenas benéfico pelo que cria de intercâmbio recíproco entre os países tanto na área de investimento quanto de comércio e tecnologia, mas também no reforço das nossas relações."
Amorim disse que a posição do G-20 não é de confronto e sim de fortalecimento para que tanto países ricos e pobres saiam fortalecidos.
A assinatura dos acordos desta segunda-feira aconteceu logo após a cerimônia oficial de boas-vindas a Lula, que contou com revista às tropas e salva de tiros.
À noite, o presidente foi o convidado de honra de um banquete de Estado no grande Palácio do Povo.
Nesta terça-feira, Lula inaugura o núcleo de cultura brasileira na universidade de Pequim, onde faz uma conferência. Ele também abre uma exposição sobre arte amazônica e, em seguida, parte para Xangai, a maior cidade da China.
Em Xangai, Lula vai abrir a conferência do Banco Mundial para o combate à pobreza.