20 de maio, 2004 - 18h04 GMT (15h04 Brasília)
O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, disse ao Parlamento, em Roma, que os soldados italianos vão permanecer no Iraque até que o país seja capaz de se governar em segurança e liberdade.
Berlusconi acaba de ter um encontro com o presidente americano, George W. Bush, em Washington.
A oposição de esquerda na Itália apresentou uma moção ao Parlamento propondo a retirada imediata dos 3 mil soldados.
O discurso de Berlusconi foi feito poucas horas depois do enterro de um militar italiano morto em combate no Iraque.
'Ofensa'
O sargento Matteo Vanzan, 23, que morreu em um confronto com uma milícia xiita em Nasiriya, foi o 20º integrante das forças italianas a morrer no Iraque. Uma bomba matou 19 soldados italianos em novembro.
Ele foi enterrado em Camponogara, em Veneza, nesta quinta-feira.
Berlusconi disse ao Parlamento que a retirada do Iraque agora seria "uma ofensa à memória dos que tombaram e ao trabalho duro e maravilhoso de nossos soldados".
"A retirada agora significaria abandonar ao caos um país crucial para o Oriente Médio. A retirada agora seria condenar 24 milhões de pessoas ao inferno da guerra civil", acrescentou.
Pressão pública
O primeiro-ministro italiano apelou aos parlamentares para que rejeitem a moção de retirada das tropas.
Correspondentes da BBC na Itáliadizem que está crescendo a pressão pública pela retirada das tropas italianas, que representam o terceiro maior contingente das forças de coalizão lideradas pelos Estados Unidos.
Uma pesquisa de opinião publicada pelo jornal La Repubblica nesta quinta-feira indica que 59% dos italianos querem que suas tropas deixem o Iraque, mesmo se a ONU pedir à Itália para que o país permaneça depois da concessão de autonomia em junho.