18 de maio, 2004 - 19h13 GMT (16h13 Brasília)
A agência de notícias Reuters diz que três de seus funcionários no Iraque foram submetidos a abusos sexuais e maus tratos enquanto estavam detidos por militares americanos.
O jornalista Ahmad Mohammed Hussein al-Badrani, o cinegrafista Salem Ureibi e o motorista Sattar Jaber al-Badrani foram detidos por três dias em base militar na cidade de Falluja, durante o mês de janeiro.
Eles foram liberados sem que nenhuma acusação tenha sido feita.
Os três denunciaram os abusos à Reuters logo depois do ocorrido, mas decidiram tornar a história pública após os EUA declararem não existirem provas de que ocorreram maus-tratos e a recente divulgação de fotografias mostrando casos ocorridos na prisão de Abu Ghraib.
'Administração de sono'
Ao lado de humilhações sexuais, ameaças e privação de sono, os funcionários da Reuters disseram ter sido obrigados a colocar seus sapatos nas bocas, coisa particularmente ofensiva na cultura árabe.
O Exército americano disse em um comunicado datado de 5 de março – mas recebido pela Reuters apenas nesta segunda-feira – ter confiança de que a investigação foi “exaustiva e objetiva”, e que os resultados estariam corretos.
Nenhum dos três funcionários da empresa foi ouvido durante o inquérito.
O editor mundial da Reuters, David Schlesinger, pediu para que o Pentágono revise o incidente.
Um resumo da investigação enviada à Reuters no dia 28 de janeiro dizia que “nenhum dos soldados envolvidos admitiu ter conhecimento de abuso físico ou tortura”.
“Os detidos foram colocados cuidadosamente sob estresse, o que inclui a privação de sono”, diz o relatório.
Na versão apresentada pelos EUA em março, o termo foi trocado para "administração de sono”.