17 de maio, 2004 - 10h32 GMT (07h32 Brasília)
Jane Little
Centenas de casais homossexuais estão fazendo fila no Estado americano de Massachusetts no primeiro dia de vigência da lei que permite o casamento entre homossexuais no Estado.
Trata-se do primeiro Estado do país a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, e, assim, esta segunda-feira marca uma grande mudança no panorama cultural americano.
Para muitos, trata-se de um dia de luto, e não de comemoração.
Os Estados Unidos são um dos países mais religiosos do mundo, e pesquisas de opinião pública sugerem que mais da metade da população adota uma interpretação mais literal da Bíblia.
Para essas pessoas, o casamento é a união sagrada de um homem e uma mulher. Mas esta polêmica vai muito além da teologia do casamento - o presidente Bush depende do voto dos cristãos evangélicos, contrários à nova lei.
Eles o levaram a apoiar uma emenda constitucional para definir casamento como um ato entre um homem e uma mulher.
“Esta é a última arma democrática disponível para o povo americano quando seus valores e suas opiniões são ignorados, dissolvidos ou suprimidos por um sistema político que é hostil a esses valores”, afirma Matt Daniels, da organização Aliança para o Casamento.
Valores da família
Esta é a mais recente de uma série de questões ligadas a “valores da família” que polarizam os americanos.
Muitos falam de uma “guerra de culturas” entre a direita religiosa e a esquerda cultural.
Apesar da rejeição da Suprema Corte americana, na sexta-feira, de uma petição para declarar a lei de Massachusetts inconstitucional, a batalha vai continuar.
Os liberais dizem que os conservadores vão perder esta guerra, assim como perderam muitas outras.
Eles apontam para pesquisas de opinião que sugerem que a maioria dos americanos está do seu lado.
Aparentemente a maioria vai aceitar ampliar os direitos civis para incluir casais de gays e lésbicas. O que muitas dessas pessoas não querem é chamar essa situação de casamento.