17 de maio, 2004 - 07h34 GMT (04h34 Brasília)
A explosão de um carro-bomba deixou pelo menos oito mortos nesta segunda-feira em Bagdá, inclusive o atual chefe do Conselho de Governo do Iraque (indicado pelos Estados Unidos), Ezzedine Salim.
A bomba foi detonada por volta das 2h30 da manhã (horário de Brasília). Salim se encontrava na parte de fora do prédio.
Ainda não está claro se ele era o alvo do ataque, que, segundo o comandante americano em Bagdá, general Mark Kimmitt, foi suicida.
O grupo iraquiano Brigadas de Al-Rashid, desconhecido pelas autoridades da coalizão, teria assumido o atentado em uma nota onde diz ter assassinado um “traidor e mercenário”.
Novo líder
O Conselho de Governo do Iraque também condenou o assassinato e já indicou o líder sunita Ghazi Ajil al-Yawer, da cidade de Mosul, para o lugar de Ezzedine Salim como novo presidente.
Ele prometeu continuar a marcha pela liberdade e pela democracia, apesar do ataque.
“Isso é um ato terrorista que não vai impedir o Conselho de Governo de continuar construindo um Iraque unido”, afirmou.
Yawer presidirá o Conselho até o dia 30 de junho, quando a soberania será devolvida ao país.
O administrador americano no Iraque, Paul Bremer, condenou o atentado e prometeu derrotar os culpados.
“Os terroristas que estão tentando destruir o Iraque deram um golpe duro com esse ato desprezível”, declarou Bremer. Ele disse que o sonho de Salim de “um Iraque democrático, livre e próspero vai se tornar realidade”.
Explosão violenta
A explosão aconteceu em um posto de controle fora da Zona Verde de Bagdá, área isolada onde a coalizão e o Conselho mantêm seus escritórios.
Muitos veículos foram incendiados com a explosão, que derreteu parte do asfalto e fez voarem pedaços de prédios ao redor.
“Havia uma multidão no posto de controle”, afirmou um guarda à agência Reuters.
As Brigadas de Al-Rashid assumiu o atentado em uma nota na Internet.
Segundo o anúncio, dois homens-bomba foram usados em “uma operação heróica, que levou à morte do traidor e mercenário” Ezzedine Salim.
“As Brigadas apelam às massas da nossa nação que combatam até a libertação do nosso glorioso Iraque e da nossa querida Palestina.”
Ezzedine Salim, um muçulmano xiita, era membro do movimento islâmico Daawa, baseado na cidade de Basra, no sul do país, e atual presidente do Conselho de Governo do Iraque. O cargo é rotativo.
Ele é o segundo integrante do Conselho assassinado desde julho, quando a entidade foi criada. Aquila al-Hamisi, uma das três mulheres da organização, foi assassinada em setembro.