16 de maio, 2004 - 08h54 GMT (05h54 Brasília)
A revista americana The New Yorker publicou um artigo dizendo que o secretário da Defesa americano, Donald Rumsfeld, autorizou pessoalmente um programa secreto que incentivava o abuso de prisioneiros iraquianos.
A reportagem, escrita pelo jornalista americano Seymour Hersh e publicada no site da revista no sábado, afirma que Rumsfeld teria ampliado um programa já em uso no Afeganistão.
O programa teria incentivado o abuso e a humilhação sexual de prisioneiros iraquianos para obter informações necessárias aos serviços de inteligência.
O Pentágono afirmou que as acusações são "conspiratórias....cheias de erros e conjecturas anônimas".
"Nenhum funcionário do Departamento de Defesa aprovou qualquer programa que tivesse a intenção de provocar tais abusos", disse o porta-voz do Pentágono, Lawrence Di Rita.
Hersh cita funcionários dos serviços de inteligência como fontes - sem citar os nomes deles. Essas pessoas teriam dito que o programa original dava cobertura para matar ou capturar e interrogar alvos de "alto valor" na chamada guerra contra o terrorismo.
O programa, segundo o jornalista, teria tido início depois de várias tentativas frustradas de capturar líderes da Al-Qaeda após o começo das operações no Afeganistão.
'Expansão'
Hersh afirma que as equipes americanas tinham permissão para realizar interrogatórios instantâneos - usando força, se necessário - em centros de detenção da CIA pelo mundo.
No ano passado, o secretário da Defesa e seu sub-secretário Stephen Cambone teriam ampliado a abrangência do programa e levado as táticas à prisão de Abu Ghraib, perto de Bagdá.
As fotos de prisioneiros sendo vítimas de maus-tratos e abusos na prisão de Abu Ghraib chocaram os Estados Unidos e o mundo.
Rumsfeld e outros militares do Pentágono têm estado sob o escrutínio dos comitês do Congresso americano.
Durante uma audiência, o secretário da Defesa afirmou que o abuso não havia nunca sido permitido por pessoas no comando e que os poucos que haviam usado métodos de interrogatório ilegais seriam punidos.
Sete soldados foram acusados formalmente até agora.