16 de maio, 2004 - 00h35 GMT (21h35 Brasília)
Mais de 100 mil israelenses participaram no sábado de uma passeata na praça central de Tel Aviv, em Israel, para exigir a saída das tropas do país da Faixa de Gaza.
Os organizadores da manifestação, várias entidades de paz, afirmaram que o objetivo é forçar o governo de Ariel Sharon a manter o plano de liberar a faixa das tropas israelenses.
Também no sábado, o Supremo Tribunal israelense suspendeu temporariamente a demolição de construções palestinas na cidade de Rafah, em Gaza. No domingo, o tribunal volta a analisar o assunto.
A decisão, pedida por moradores de Rafah, foi tomada depois de cerca de 90 casas terem sido destruídas pelas tropas de Israel.
Segundo a agência da ONU responsável pelos refugiados palestinos, desde quinta-feira, quando a operação israelense começou, mais de mil pessoas ficaram desabrigadas.
'Base de ataques'
O governo de Israel diz que a medida é necessária porque as casas destruídas seriam usadas por militantes como bases para ataques.
Os palestinos refutam essas acusações e dizem que a área é residencial.
As demolições começaram na quinta-feira, um dia depois de cinco soldados israelenses terem sido mortos em uma emboscada de ativistas palestinos.
Na semana passada, o partido do governo, o Likud, votou contra o plano de saída das tropas da Faixa de Gaza, proposto por Ariel Sharon.
O ex-primeiro ministro Shimon Peres participou do comício deste sábado e disse em seu discurso que "as negociações com os palestinos são possíveis".
'Paz duradoura'
Peres disse também que a maior parte dos israelenses querem um governo que "escolha um caminho de paz duradoura".
"Vamos dar adeus a Gaza", discursou Peres.
As pesquisas de opinião em Israel indicam que a maior parte da população apóia a saída das tropas da Faixa de Gaza.
Na semana passada, 13 soldados israelenses morreram em emboscadas na região – pelo menos 30 palestinos também foram mortos em ataques ao longo da semana.
A destruição das casas faz parte da ação contra os supostos autores das mortes e também da política de Israel de ampliar a área que isola a fronteira da Faixa de Gaza com o país.