14 de maio, 2004 - 19h25 GMT (16h25 Brasília)
O editor do tablóide britânico Daily Mirror, Piers Morgan, renunciou ao cargo e o jornal pediu desculpas por publicar fotos montadas que afirmava ser de soldados britânicos torturando presos no Iraque.
O diário afirmou que as imagens eram falsas e que foi vítima de um trote calculado e mal intencionado.
O governo britânico vinha pressionando o Mirror a se retratar desde o início da semana, após investigações terem mostrado que as supostas fotos de maus-tratos foram tiradas dentro de um caminhão militar que não deixou o território da Grã-Bretanha.
O conselho de direção do jornal disse em comunicado que seria "inapropriado" que Morgan continuasse a editar a publicação.
'Ego'
Mais cedo nesta sexta-feira, o regimento Queen's Lancashire do Exército britânico – acusado de tortura em razão das fotos – havia dito ter provas contundentes de que as imagens não eram verdadeiras.
"Está na hora do ego de um editor ser comparado à vida de um soldado", disse o coronel David Black, afirmando que, ao enfurecer os iraquianos, a publicação das fotos trouxe riscos de vida aos soldados britânicos no sul do Iraque.
Black disse que as fotos no jornal serviram como "pôster de recrutamento" da Al-Qaeda.
As imagens exibiam o que pareciam ser soldados britânicos urinando sobre um prisioneiro e batendo nele com um fuzil.
Ainda assim, até a manhã desta sexta-feira, Piers Morgan continuava dizendo que continuaria no cargo e que as fotos eram verdadeiras.
Oficiais do regimento acusado exibiram mais provas – entre elas, detalhes dos uniformes e equipamentos usados nas fotos que não condizem com aqueles dos militares britânicos – da falsidade das fotos.
Roger Goodman, falando em nome do regimento, disse que "é uma grande pena que isso (o pedido de desculpas do jornal) demorou tanto tempo... e que tanto prejuízo tenha sido causado durante esse tempo".