A União Africana mandou uma equipe para o Sudão para analisar as condições do cessar-fogo na região de Darfur, onde cerca de um milhão de pessoas foram expulsas durante mais de um ano de combate.
A equipe inclui membros da Organização das Nações Unidas (ONU), da União Européia e dos Estados Unidos.
Eles têm o objetivo de fazer reuniões com oficiais do governo e líderes rebeldes.
Oficiais da ONU e grupos de direitos humanos têm acusado o governo do Sudão e a milícia árabe de violar os recentes acordos de cessar-fogo e de cometer abusos aos direitos humanos em Darfur.
ONU
O Conselho de Segurança da ONU disse neste sábado que não pensa em tomar ação imediata contra o governo do Sudão devido às sérias violações aos direitos humanos na região de Darfur.
Membros do conselho disseram que estão monitorando a situação no país depois que o comissário de Direitos Humanos da ONU, Bertrand Ramcharan, alertou sobre as atrocidades que estão sendo cometidas no local.
Neste novo relatório, divulgado nesta sexta-feira, Ramcharan disse que o "terror ainda reina" em Darfur e culpou o governo de abusos contra refugiados que poderiam ser classificados como crimes de guerra.
O relatório ainda descreve bombardeios aéreos sobre vilarejos e a expulsão de civis, além de mortes, estupros e saques.
"Isso está acontecendo diante de nossos olhos", disse ele.
O ministro das Relações Exteriores do Sudão admitiu a possibilidade de que seu governo esteja cometendo abusos aos direitos humanos, mas negou a existência de uma campanha de limpeza étnica.
Espanto
A equipe da ONU que investigou a situação no país disse ter encontrado condições "espantosas" e "monstruosas" quando visitou o povoado de Kailek há menos de duas semanas.
Segundo o documento, as milícias árabes estão impedindo o envio de comida e não permitem que qualquer pessoa saia do local.
Segundo o informe, entre oito e nove crianças morrem diariamente de desnutrição. As condições sanitárias são inumanas e falta assistência médica.
De acordo com o relatório, a falta de comida fez com que civis começassem a ter de pagar à milícia para conseguir deixar o povoado e procurar por comida.
A ONG Human Rights Watch, em outro relatório divulgado nesta sexta-feira, acusou o governo do Sudão de limpeza étnica e de crimes contra a humanidade em Darfur.