Kaká virou celebridade no Milan. A prova foi uma disputada coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira, em Milanello, o centro de treinamento do clube, a 50 km de Milão.
Os torcedores e os jogadores afirmam que o brasileiro teve uma grande responsabilidade na conquista do scudetto, o título do Campeonato Italiano.
Em um italiano quase perfeito, sem a ajuda de intérpretes, Kaká aceitou os cumprimentos, mas dividiu os méritos com os companheiros.
"Para mim, este scudetto é realmente especial, meu primeiro ano na Itália e vencer assim para mim, um título importante, é inesquecível", disse o brasileiro.
"Mas não acho que o scudetto é meu, é do time, do artilheiro Shevchenko, da defesa mais bonita que já vi jogar. A eles, vai o título", acrescentou.
Adaptação rápida
O futebol italiano já transformou muitos brasileiros em ídolos como Zico, Paulo Roberto Falcão e Júnior, mas nenhum deles teve um êxito tão rápido. A adaptação de Kaká foi acima de todas as expectativas.
"Minha família me ajudou muito, mas quando cheguei sabia que deveria me adaptar o mais rapidamente possível a tantas coisas diferentes como a cultura e a língua", declarou.
"É normal que haja um certo ciúme de quem já está, mas aqui isso não aconteceu. Agradeço a eles que me ajudaram sempre e me deram confiança."
Em menos de um ano, Kaká disputou a Copa Intercontinental, no Japão, a Liga dos Campeões e o Campeonato Italiano. A cada partida ganhava a confiança do treinador e dos companheiros de time.
Momentos difíceis
O brasileiro afirma que foram necessários de dois a três meses para deixar de ser um reserva e passar a titular.
"Tive momentos difìceis: contra a Juventus, aqui em San Siro, que eu estava no banco; contra o Sampdoria. Eu não me encontrava, não conseguia jogar bem", recorda Kakà.
"Foram duas ou três semanas muito difíceis para mim, até fazer aquele gol contra o Empoli."
Daquele gol em diante, ele jogou quase todas as partidas, mas a desclassificação do Milan da Liga dos Campeões ainda não foi bem digerida.
"Terminamos uma ótima temporada. Não foi excelente por causa da Liga dos Campeões", disse.
Kaká pauta a vida com objetivos bem claros e não são poucos.
"Comecei bem, agora quero a Liga dos Campeões, vencer outro scudetto e ganhar com a Seleção Brasileira. Quero ir ao Mundial de 2006, conquistar a cofiança do treinador (Parreira)."
Laboratório
O Milan é conhecido internacionalmente pela infra-estrutura que oferece aos jogadores. O presidente do clube é o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi.
Ele é considerado o homem mais rico do país, e não economiza na hora de oferecer aos seus jogadores as melhores condições de trabalho.
O MilanLab, departamento que segue o desempenho físico de cada jogador, está na vanguarda do futebol mundial. Tem equipamentos de última geração que fornecem dados para programas exclusivos de treinamento.
"Eu nunca vi uma organização assim. O Leonardo (dirigente do Milan) tinha me avisado, mas eu me supreendi. Incrível, das pequenas coisas às grandes, que nós jogadores de fora precisamos."
"Morei sozinho seis meses, e tudo o eu que precisava e pedia num instante se resolvia. De uma simples linha de conexão à Internet até um 'transfer' para as viagens, sem problema algum ou atraso", revela Kakà.
Junto com a fama, veio o assédio dos fãs.
"Quando cheguei aqui eu não era conhecido, hoje já é difìcil sair na rua, todo mundo me conhece, todo mundo quer falar, pedir autógrafo, para mim é uma grande alegria o reconhecimento do meu trabalho", diz o craque.