O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, disse que não vai renunciar apesar de seu plano de retirada das tropas e assentamentos judaicos da Faixa de Gaza ter sido rejeitado por seu partido, o Likud.
Resultados finais da votação mostram que 59,5% dos membros do partido votaram contra a proposta de Sharon.
O premiê disse que vai respeitar o resultado da votação, mas deixou claro que não pretende desistir do plano.
Militantes palestinos mataram uma colona judia grávida e suas quatro filhas durante a votação deste domingo.
Retirada
A proposta de Sharon prevê a retirada das tropas israelenses e dos cerca de 7.500 colonos judeus que vivem na Faixa de Gaza.
Depois da votação de domingo, Sharon disse: "É com pena que recebo o resultado da votação, mas vou respeitá-lo".
Mas o premiê evitou declarar o fim de seu plano.
"O povo israelense não me elegeu para ficar de braços cruzados durante quatro anos", disse ele.
Sharon declarou que vai consultar o Likud e os outros partidos da coalizão de governo nos próximos dias.
A Casa Branca declarou no domingo à noite que mantém o apoio ao plano de Sharon para a Faixa de Gaza.
Violência marca votação
Alguns analistas acreditam que a oposição ao plano de Sharon pode ter aumentado com o assassinato da colona judia e suas filhas.
Foi o pior ataque contra colonos judeus em Gaza em dois anos.
Há informações de que Tali Hatuell, que estava grávida de oito meses, estava a caminho de Israel para protestar contra o plano de Sharon quando sofreu uma emboscada perto de uma passagem entre Gaza e o assentamento.
Mais tarde, o Exército israelense matou quatro militantes palestinos na cidade de Nablus, na Cisjordânia, e destruiu uma estação de rádio ligada ao grupo militante Hamas, na Cidade de Gaza.
A retirada da Faixa de Gaza é vista como humilhante por muitos israelenses.
A mídia de Israel já está chamando esta de a pior derrota política da carreira de Ariel Sharon.
Segundo o correspondente da BBC em Tel Aviv, David Chazan, Sharon já havia indicado que ia levar o plano adiante, independente do resultado da votação.
As pesquisas de opinião mostram que a maioria dos israelenses concordam que é do interesse do país se retirar da Faixa de Gaza.
'Israel é maior do que o Likud'
As pesquisas de boca-de-urna indicam que Sharon pode ter sido derrotado com margem de 12 a 24 pontos percentuais. O comparecimento às urnas chegou a apenas 35%.
Uzi Landau, o ministro do Likud que comandou a campanha de oposição, disse que já é hora de aparecer uma alternativa ao plano "altamente arriscado" de retirada.
"A maior parte de Israel acha que o plano é um erro e nós vamos ter que encontrar outra saída", disse ele.