Representantes de países islâmicos, reunidos em um encontro na Malásia, pediram nesta quinta-feira ao Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) que dê a eles autorização para enviar tropas ao Iraque.
Cerca de 20 países, entre eles o Paquistão, a Malásia e a Indonésia, prometeram enviar soldados assim que as Nações Unidas lhes dêem um mandato nesse sentido.
O primeiro-ministro da Malásia, Abdullah Ahmad Badawi, disse que a situação no Iraque está cada vez pior e pediu que fosse concedido à ONU um papel central no país.
A questão do Oriente Médio também foi discutida, e os representantes aprovaram uma declaração condenando os planos do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, para a crise na região, e o apoio dado a ele pelo presidente americano, George W. Bush.
“Alarmante”
O plano de Sharon prevê que Israel mantenha o controle de assentamentos-chave na Cisjordânia, e a declaração diz que as propostas israelenses vão contra o plano de paz internacional para o Oriente Médio.
O documento assinado pelos países islâmicos afirma ainda que ninguém tem o direito de fazer concessões a Israel ou negociar em nome dos palestinos.
Na abertura do encontro, Badawi afirmou que a situação no Oriente Médio se tornou "extremamente alarmante".
Badawi comparou o tratamento dispensado pelos israelenses aos palestinos às atrocidades sofridas pelos judeus no passado.
Segundo o primeiro-ministro da Malásia, o apoio de Bush à decisão de Israel de manter assentamentos na Cisjordânia pode arruinar o processo de paz na região.
Antecipação
Pelo menos 20 membros dos 57 países da Conferência Islâmica eram esperados no encontro em Putrajaya, a capital administrativa da Malásia, ao sul de Kuala Lampur.
O encontro deveria ser realizado no mês de maio para discutir a situação do Iraque, mas o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, pediu que a reunião fosse antecipada após o apoio de Bush ao plano israelense na Cisjordânia.
O ministro das Relações Exteriores da Malásia, Syed Hamid Albar, disse esperar que o encontro consiga apoio internacional para o plano de paz.
Albar condenou os recentes assassinatos de dois líderes do grupo militante palestino Hamas e disse que a Conferência Islâmica pedirá que Israel respeite as leis internacionais e pare com os assassinatos extrajudiciais.