O inglês Martin Brundle, maior rival de Ayrton Senna na Fórmula 3 – categoria que foi o último degrau até a Fórmula 1 para ambos – afirma que o brasileiro jogava sujo e tirava concorrentes da pista para marcar mais pontos.
"Na temporada de 1983, vi muitas características que o acompanhariam na Fórmula 1", lembra Brundle.
"Senna achava que o mundo conspirava contra ele e estava pronto para bater, se fosse para ganhar mais pontos. Se preciso, ele tirava alguém da pista para pontuar. Seus movimentos eram sempre bem calculados."
Como exemplo desse comportamento, o inglês cita o Grande Prêmio do Japão de 1990, quando Senna bateu sua McLaren na Ferrari do francês Alain Prost logo na primeira curva. O acidente tirou os dois carros da prova e definiu o título em favor do brasileiro.
No ano anterior, Senna e Prost haviam se envolvido em um acidente também no GP do Japão que garantiu a conquista do título para o francês.
"Senna ficou inconformado", recorda Brundle.
"Na corrida seguinte, na Austrália, suas declarações mostravam que ele ainda estava emocionalmente abalado e achava que a direção da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e todo o mundo estava contra ele. Era difícil gostar deste lado de Senna."
Por outro lado, Brundle diz que o brasileiro foi o melhor piloto que ele viu ao volante.
"Foi certamente o mais talentoso de todos os tempos", diz o ex-piloto inglês.
"Ele tinha uma espécie de sexto sentido para identificar onde tinha mais aderência na pista e (a disputa com ele) me fez evoluir muito."
Brundle diz ainda que Senna tinha uma grande capacidade de persuasão e de unir a equipe em torno dele.
"Lembro de uma vez em que fomos testar juntos para a McLaren e, não sei como, ele conseguiu convencer a equipe a dar-lhe uma segunda chance, mesmo depois de ter estourado um motor."
"Antes disso, tínhamos feito tempos semelhantes, mas depois ele voltou à pista e foi mais rápido."