Com 5 milhões de pessoas contaminadas pelo vírus da Aids na África do Sul em uma população de 45 milhões, o combate à doença é um dos maiores desafios do presidente Thabo Mbeki.
No começo do mês o governo iniciou a distribuição gratuita de medicamentos para as pessoas que apresentam sintomas de infecção, mas as perspectivas de sucesso no combate à doença ainda são sombrias.
A distribuição de medicamentos não vai atingir a todos os pacientes de Aids, mas apenas àqueles que apresentam sintomas graves da doença.
No hospital Baragwanath, na periferia de Johanesburgo, o maior do continente africano, quase metade dos leitos está ocupada por doentes de Aids. O médico Branco da Fonseca, que trabalha no hospital há 25 anos, se diz cético em relação ao sucesso de campanhas de combate à doença no país.
Prevenção
"Os anti-retrovirais não são a cura, são um tratamento. Como na maior parte das doenças o melhor a fazer não é o tratamento mas a prevenção, que até agora tem falhado."
"Na África do Sul, as pessoas não fazem sexo seguro", afirma.
Outro problema, segundo Branco da Fonseca, é que as pessoas costumam se esquecer de tomar os remédios, o que pode tornar o HIV resistente aos anti-retrovirais.
As indústrias farmacêuticas já baixaram os preços dos medicamentos, mas não o suficiente, segundo ele.
Para fazer pressão sobre as indústrias farmacêuticas, a ONG Pessoas Vivendo com Aids costuma realizar protestos nas portas das fábricas.
No feriado de Páscoa, até terça-feira, um grupo de cerca de 50 pessoas ficou acampado na porta da Roche, em Isandon, Johanesburgo.
Inkululeko Nxesi, diretor do grupo, disse que o preço que a indústria farmacêutica está oferecendo ainda é alto.
Sem recursos
Em média, os remédios contra a Aids custam 1.500 rands por mês (cerca de R$ 750), que é o salário médio na África do Sul.
Altiti Dubazana, que tem o vírus HIV há três anos, diz que já perdeu a conta de quanto gastou nesse tempo.
"Para custear o tratamento, tenho que pedir dinheiro à minha mãe e a meus parentes. Estou desempregado e não tenho mais a quem recorrer."
A seu lado, Euginia Keebine, contou que sua mãe paga mais pelo plano de saúde para poder incluí-la como dependente.
"É um peso grande para minha mãe e não sei até quando ela vai agüentar", diz ela, acrescentando que o salário que ganha como funcionária do Pessoas Vivendo com Aids não é suficiente.
A expectativa de vida na África do Sul, que é de 45 anos para os homens, e de 51 anos para as mulheres, está baixando.
Segundo o Congresso Nacional Africano, o partido do governo, o orçamento para a saúde aumentou de R$ 17 milhões, em 1994, para R$ 1,8 bilhão este ano.
O governo prometeu aumentar o percentual do orçamento destinado à saúde.