Proibida de votar durantes os anos do apartheid, a população negra compareceu com entusiasmo às seções eleitorais para votar pela terceira vez na história da África do Sul.
As filas foram grandes durante todo o dia especialmente nas áreas mais pobres como Soweto, um bairro na periferia de Johanesburgo, reduto do Congresso Nacional Africano, o partido do governo.
As pesquisas indicam que o presidente Thabo Mbeki dever ser reeleito com cerca de 70% dos votos.
A Aliança Democrática, partido de maioria branca, deve ficar em segundo, com cerca de 10% dos votos.
Em Soweto, Gugu Mthombele disse que valeu a pena ficar três horas em uma fila.
"O governo fez muito pelo país. Há necessidades de correção aqui e ali, como em qualquer lugar do mundo, mas acho que ele está fazendo o certo."
Maude Mbuthume, também de Soweto, votou pela terceira vez no Congresso Nacional Africano. Ela explicou por quê.
"O Congresso Nacional Africano construiu casas para a população e fez muitas outras coisas. Estou satisfeita com o partido. A única coisa que posso pedir é mais cuidado com a Aids."
A Aids é um dos principais problemas do país e afeta 5 milhões de pessoas, numa população de 45 milhões.
Vinte milhões de eleitores se registraram para votar em todo o país. Segundo um estudo divulgado na terça-feira, 800 mil pessoas disseram que não poderiam votar - por estar muito doentes ou por estar cuidando de alguém que sofre de Aids.
A contagem dos votos começa nesta quarta-feira em cada uma das seções eleitorais.
Mesmo na província de KwaZulu Natal, para onde foram enviados 20 mil policiais, já que se temia que houvesse violência, a eleição foi tranqüila.
Em eleições anteriores, a violência política na região deixou centenas de mortos.
As pesquisas indicam que o Congresso Nacional Africano, o partido do governo, deve ganhar em quase todas as províncias.
Mas em KwaZulu Natal, o resultado ainda é uma incógnita, porque com medo, os eleitores se recusam a declarar seu voto até para os pesquisadores.