O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, tomou a iniciativa no conflito com os palestinos.
Seu próprio plano para a região substituiu o anterior, que tinha o apoio dos Estados Unidos, e se tornou a proposta com a qual todos estão tendo que lidar.
Seu “plano de desligamento” é, até agora, uma medida unilateral de Israel. Ele não envolve os palestinos.
Pelo que Sharon disse em várias entrevistas, o plano prevê a retirada israelense de seus assentamentos na Faixa de Gaza, juntamente com a remoção de quatro pequenos assentamentos no norte da Cisjordânia.
Opção unilateral
Vale a pena destacar que, pelo que se sabe, o objetivo final do “plano de desligamento” e o do plano de paz anterior são aparentemente incompatíveis.
O plano anterior tem o objetivo explícito de conduzir a uma solução com dois Estados convivendo lado a lado, por meio de negociações e medidas para fortalecer a confiança bilateral.
Não é o caso do “plano de desligamento”.
Sharon disse em entrevistas a jornalistas isralenses que “no processo unilateral, não há Estado palestino”.
Ainda assim, diplomatas e pessoas interessadas em ver a paz na região estão dispostas a aceitar as medidas imediatas previstas no plano de Sharon – com destaque para a retirada de Gaza.
Eles esperam que, depois que a retirada ocorra, sejam capazes de avançar rumo à solução com dois Estados em um futuro ainda indeterminado.
Buscando o respaldo dos EUA
Ariel Sharon vai a Washington para discutir o “plano de desligamento” com o presidente americano, George W. Bush.
Essa viagem marca o começo de um mês bastante intenso e arriscado para o primeiro-ministro israelense.
Ariel Sharon espera conseguir o apoio de Bush a seu plano. Sharon aposta que, com a força do endosso de Bush, ele irá também ganhar o apoio de céticos e de seus oponentes em Israel.
Opiniões divididas
No dia 29 de abril, ainda com as lembranças de sua viagem aos Estados Unidos frescas na memória, Sharon vai submeter seu plano a um referendo entre os membros de seu partido, o Likud.
Pesquisas de opinião indicam que os membros do partido estão divididos em relação à proposta.
O resultado do referendo será obrigatoriamente acatado pelo partido – o que significa que, ou Sharon vence, ou seu plano será descartado.
Se ele vencer, em seguida o primeiro-ministro apresenta a proposta a seu gabinete de governo e, então, ao Parlamento israelense.
É possível, e mesmo provável, que o plano leve a mudanças na coalizão que forma o governo.
Problemas legais
Tudo isso está ocorrendo em um momento em que o primeiro-ministro israelense aguarda uma decisão quanto a sua situação legal.
O procurador-geral do Estado israelense, Menahem Mazuz, está no momento avaliando se aprova ou não uma ação contra Sharon.
O primeiro-ministro é acusado de receber suborno de um empresário israelense nos anos 90, quando ocupava o cargo de ministro do Exterior.
A expectativa é que Mazuz anuncie sua decisão em junho.
Até lá, o panorama político israelense pode ter mudado bastante.