Vinte milhões de eleitores estão registrados para ir às urnas nesta quarta-feira na África do Sul, na terceira eleição no país desde o fim do apartheid (1948-94), há dez anos.
O governo tem sido criticado por causa das altas taxas de desemprego, de criminalidade e de pessoas contaminadas pelo vírus da Aids.
No entanto, para mostrar como o país mudou nesses dez anos, a vice-secretária-geral do partido governista, o Congresso Nacional Africano (CNA), Sankie Mthembi Mahanyele, apresenta números.
"Antes de 1994, não havia estradas, 8 milhões de pessoas não tinham casas e 12 milhões não tinham água. As pessoas não tinham telefone nem eletricidade. Há muito a ser feito e, considerando a herança que recebemos, nós já percorremos um longo caminho."
Segundo Mahanyele, em uma década desde o fim do apartheid, 9 milhões de pessoas tiveram acesso a água encanada e 70% das casas receberam luz elétrica. Ainda de acordo com a vice-secretária do CNA, o governo construiu 1,6 milhão de casas para pessoas que comprovaram renda inferior a 1,5 mil rands mensais (cerca de R$ 750).
Educação pós-apartheid
Mahanyele afirma que, se o partido vencer as eleições, como indicam as pesquisas, o governo do presidente Thabo Mbeki deverá se concentrar na educação. Segundo ela, a política de segregação racial, na qual a população negra freqüentava escolas de qualidade inferior, fez com que a maior parte dos sul-africanos não tenha qualificação.
"Nossas políticas são dirigidas aos mais pobres dos pobres. As outras classes podem cuidar de si mesmas, não precisam do governo, podem melhorar o que estão fazendo por si mesmas."
As pesquisas de intenção de voto indicam que o principal partido de oposição, a Aliança Democrática, de maioria branca, deverá ficar no segundo lugar nas eleições desta quarta-feira, com cerca de 10% dos votos.
O presidente do partido, Joe Seremane, diz o que é preciso para atrair mais votos dos eleitores negros nas próximas eleições.
"Sou parte da comunidade negra. Você tem que mostrar à população negra por que é necessário retirar a conotação racial da política da África do Sul. É um processo que vai tomar tempo fazer as pessoas perceberem que não precisam ficar separadas por causa da cor e que podem fazer política juntas, podem morar juntas, podem fazer tudo juntas."
Seremane diz que, se o seu partido fosse eleito, também combateria o desemprego dando mais qualificação para as pessoas, para poder atrair mais investimentos de empresas internacionais.
No total, 37 partidos se registraram para estas eleições, que vão decidir não só o presidente, mas também líderes de províncias. No sistema eleitoral sul-africano, as pessoas votam no partido e não no candidato.
O presidente do Thabo Mbeki, do CNA, deve ser reeleito com mais de 70% dos votos, de acordo com as pesquisas. O presidente eleito deve tomar posse no dia 27 de abril.