Um teste com um detector de mentiras foi aplicado nos funcionários da Promotoria Geral colombiana e 20% deles não passaram.
Administrado pelo FBI americano, o teste foi criado para detectar corrupção, incluindo envolvimento em tráfico de drogas e grupos paramilitares.
Os empregados reclamaram que o teste representa uma "interferência inaceitável" em suas vidas pessoais e o promotor-geral, Luis Camilo Osorio, minimizou os resultados.
O teste, criado para avaliar a honestidade de parte dos 18 mil funcionários da promotoria, tinha perguntas sobre suborno, envolvimento no comércio de drogas e na guerra civil colombiana.
Passado corrupto
Um ex-chefe do programa anticorrupção colombiano condenou o que considera a "praga da corrupção".
Cerca de 90% dos crimes no país, que vive uma guerra civil há quase quatro décadas, não são resolvidos.
A revelação de que um em cada cinco funcionários da Promotoria Pública fracassou nos testes coloca as autoridades colombianas em uma situação difícil, de acordo com o correspondente da BBC em Bogotá, Jeremy McDermott.
Se todos os que não passaram no teste forem demitidos, a justiça colombiana vai parar, de acordo com McDermott.
Camilo Osorio afirma que todos os casos de corrupção que chegaram ao seu conhecimento foram investigados e punidos. O promotor-geral admitiu que a instituição passa por um "mal momento", mas disse que os funcionários que não passaram nos testes não vão automaticamente perder o emprego.
Humilhação
De acordo com o jornal El Tiempo, um grupo de funcionários da Unidade de Combate aos Narcóticos e Interdição Marítima reclamou dos testes.
Em uma carta, eles citam "desrespeito" e "humilhação" por serem submetidos aos testes e afirmam que o detector de mentiras constituiu uma "interferência inaceitável em suas vidas pessoais".
Em resposta, Osorio concordou em pedir ao FBI que não faça perguntas sobre a vida íntima, mas disse que os testes vão continuar a ser feitos, particularmente em indivíduos que estiverem em postos ou se candidatarem a postos envolvendo programas conjuntos com os Estados Unidos.