Condoleezza Rice, a conselheira de Segurança Nacional do presidente americano, George W. Bush, começou a prestar depoimento em Washington, em uma audiência pública da comissão independente que investiga os ataques de 11 de setembro de 2001.
Ela disse que a resposta de vários governos americanos à Al-Qaeda foi "insuficiente" por mais de 20 anos.
Segundo informações divulgadas por funcionários da Casa Branca, Condoleezza Rice deve dizer à comissão que o governo Bush tinha uma visão diferente do mundo antes dos eventos de 11 de setembro de 2001.
Em declarações à imprensa, o diretor de comunicações da Casa Branca, Dan Bartlett, disse que é mas fácil entender o 11 de Setembro agora, mas que, antes dele, "as decisões eram baseadas em outra postura, não apenas nesta administração, mas no país e no mundo".
Declarações à imprensa de membros da comissão (são dez cidadãos americanos, cinco indicados pelos democratas e cinco pelos republicanos) sugerem que Rice vai ser questionada sobre as acusações de que ela e George W. Bush não trataram a ameaça da Al-Qaeda com a urgência que o caso mereceria.
Mas o presidente da comissão, o republicano Thomas Kean, e o vice-presidente, o democrata Lee Hamilton, advertiram seus colegas de que não querem ver o mesmo clima de disputa partidária observado durante o depoimento do ex-assessor antiterrorismo Richard Clarke.
Resistência
A Casa Branca resistiu por semanas antes de autorizar Condoleezza Rice a fazer um depoimento público, mas acabou cedendo na terça-feira da semana passada, sob o peso das cobranças da opinião pública.
Democratas sugeriam que Rice não queria depor porque teria algo a esconder.
Republicanos também pediram ao presidente que autorizasse o depoimento da conselheira, argumentando ser ela uma das pessoas mais bem preparadas na administração para explicar as ações do governo Bush.
Na segunda-feira, o presidente Bush destacou a repórteres depois de um discurso na Carolina do Norte a importância do depoimento de Rice.
![]() Em seu depoimento, Clarke acusou o governo de não ter dado importância necessária à ameaça da Al-Qaeda |
"Vai ser ótimo. Ela é uma pessoa muito esperta e capacitada, que sabe exatamente o que aconteceu e vai ajudar a esclarecer tudo isso", disse o presidente.
Esses fatores estão atraindo uma enorme atenção da mídia para o depoimento de Condoleezza Rice. Tanto que pela, primeira vez, as principais redes de TV aberta dos Estados Unidos, as redes ABC, NBC, CBS e PBS, vão transmitir ao vivo uma audiência da comissão.
Desculpas
Auxiliares próximos a Condoleezza Rice também disseram a jornalistas que a conselheira não vai se desculpar, nas suas declarações iniciais à comissão, pelos ataques de 11 de Setembro.
Em seu depoimento, o ex-assessor Richard Clarke pediu desculpas pelas falhas, dele e do governo, antes de apresentar à comissão todas as suas críticas à condução, pelo governo Bush, do combate à Al-Qaeda.
Analistas dizem que o depoimento de Rice tem importância não só para o governo Bush como para a própria imagem e credibilidade da conselheira.
Também já está marcada a próxima audiência pública da comissão, nos dias 14 e 15 de abril em Washington.
Nesses dias, serão ouvidos o diretor-geral da CIA, George Tenet; o diretor do FBI, Robert Mueller; o ex-diretor do FBI Louis Freeh; o secretário de Justiça dos Estados Unidos, John Ashcroft, e a ex-Scretária de Justiça Janet Reno.